Pimentel minimiza apuração de comissão

O constrangimento acompanhou a presidente Dilma Rousseff à Índia. Na berlinda, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, que integra a comitiva da presidente, foi obrigado a se explicar. Ele disse "não estar preocupado" com o pedido de esclarecimento feito pela comissão de ética pública do Planalto, em relação aos negócios realizados pela sua empresa de consultoria em 2009 e 2020, antes de ele assumir a pasta. "Preocupação nenhuma", declarou o ministro, ao ser questionado sobre o caso.

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

28 de março de 2012 | 09h02

Em entrevista nesta terça, no lobby do hotel onde está hospedado em Nova Délhi, o ministro considerou "absolutamente natural" a iniciativa da comissão de pedir esclarecimentos sobre o caso. Pimentel é alvo de denúncias de que sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010, o que levantou suspeitas de tráfico de influência junto à prefeitura de Belo Horizonte, comandada anteriormente por ele.

"O que tem é uma representação. A comissão de ética entendeu que eu devo apresentar esclarecimentos sobre a representação. Não é uma investigação. Não é nada. Eu presto os esclarecimentos e a comissão decide o que vai fazer", declarou Pimentel.

Segundo o ministro, a representação certamente só será apresentada a ele quando retornar da viagem, na semana que vem. Como não foi ainda notificado, o ministro acredita que, depois que for notificado, terá dez dias para apresentar sua defesa. "Devem ser dez dias a partir do momento que eu for comunicado. Mas, certamente será só na semana que vem e aí eu entrego lá o meu arrazoado, meus esclarecimentos. Mas vamos ver o que é que eles estão pedindo. Não sei o que é, mas acredito que não vão pedir nada de específico, que vão pedir coisas genéricas, Mas, não sei, vamos ver, deixa eles me oficiarem", observou.

Em dezembro, no auge das denúncias, a presidente Dilma Rousseff orientou o ministro Fernando Pimentel a resistir às acusações relacionadas aos negócios de sua empresa de consultoria em Belo Horizonte, após ele deixar a prefeitura da capital. Na conversa, na época, a presidente lembrou que ela é um exemplo de quem sobreviveu a uma onda de acusações, numa referência a seu período como chefe da Casa Civil, quando teve seu nome relacionado à montagem de um dossiê sobre gastos do governo tucano de FHC. Na ocasião, Dilma negou participação no episódio.

Pimentel, no entanto, negou que a presidente tivesse lhe orientado a resistir. "Ela não comentou nada não", prosseguiu o ministro, que não quis responder perguntas sobre os problemas do governo com o Congresso. "Não vou falar sobre isso não. Nem sei se tem imbróglio do governo", desconversou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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