Pimentel é obrigado a aceitar PMDB em Minas e perde espaço com Dilma

Além de ter seu nome ligado a suposto dossiê contra José Serra, ex-prefeito de Belo Horizonte se enfraquece na coordenação de campanha da pré-candidata petista por conta da decisão do partido de apoiar a candidatura do senador Hélio Costa

Eugênia Lopes, Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2010 | 08h09

Juntos. Ex-prefeito Fernando Pimentel (à dir.) será candidato ao Senado na chapa encabeçada por Hélio Costa

 

Enredado no escândalo do dossiê contra o tucano José Serra, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel deverá se afastar do comando da campanha de Dilma Rousseff à Presidência. Além de ter o nome ligado ao suposto dossiê, Pimentel sai fragilizado com a decisão do PT de apoiar o ex-ministro Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas.

 

Veja também:

PMDB busca acordo para controlar traições

 

Pimentel queria concorrer ao Palácio da Liberdade, mas acabou derrotado. Depois de oito meses de negociações, a cúpula nacional do PT enquadrou a seção regional do partido em nome de um palanque único para Dilma no segundo maior colégio eleitoral do País. Agora, Pimentel será candidato ao Senado na chapa encabeçada por Costa.

 

Trata-se, na prática, de uma intervenção do PT no diretório estadual, autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O enfraquecimento de Pimentel coincide com o aumento de poder do time paulista no comitê de Dilma. Ganha força na equipe o grupo do deputado Antonio Palocci (SP) e da ex-prefeita Marta Suplicy. O deputado Rui Falcão é dessa ala e chefia a comunicação da campanha.

 

"Montamos uma chapa com condições de dar uma vitória expressiva a Dilma em Minas", argumentou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "É claro que os companheiros de Minas preferiam Pimentel como candidato, até porque ele ganhou uma prévia contra Patrus Ananias (ex-ministro do Desenvolvimento Social), mas agora temos a tarefa de unir o PT."

 

Baixa. A rede de intrigas que envolve a campanha de Dilma já registrou uma baixa. No sábado, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta - amigo de Pimentel e dono da Lanza Comunicação - desligou-se da equipe, no rastro da crise do dossiê. Foi acusado de tentar contratar o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa e outros arapongas para bisbilhotar Serra e o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), além de uma penca de petistas.

 

O governo avalia que o escândalo não passa de "armação" montada por tucanos com personagens já conhecidos do submundo de Brasília. Para Dilma, Pimentel foi ingênuo quando não poderia ser e caiu numa "armadilha". Além disso, ela ficou irritada com a decisão do ex-prefeito de esticar a corda para ser candidato ao governo de Minas, pondo em risco a aliança nacional com o PMDB.

 

Pimentel disse não ver problema em se dividir entre a campanha de Dilma e a sua, ao Senado. "Mas isso tem de ser discutido com a própria Dilma e os companheiros de Minas", ressalvou, demonstrando impaciência com perguntas sobre o assunto.

 

Velório. O presidente do PT mineiro, deputado Reginaldo Lopes, não escondeu o aborrecimento. "Estou indo para um velório", disse ele, antes do anúncio da chapa. "Com a alma ferida, vamos fazer campanha para Hélio Costa, mas o PRB, o PR e o PSB vão embora, vão para o Anastasia", emendou, numa referência ao governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), afilhado do tucano Aécio Neves.

 

O PMDB quer agora que o PT ocupe a vaga de vice em Minas para Costa não ser "cristianizado". Patrus resiste a aceitar a missão, que pode cair no colo do deputado Virgílio Guimarães (PT).

 

Dutra tentou amenizar o mal-estar na aliança e negou o afastamento de Pimentel. "Todo candidato majoritário tem de estar majoritariamente nos Estados. Esta é uma discussão bizantina."

 

O acordo mineiro foi firmado na marra, após uma série de reuniões que contaram com a presença de Dutra e Dilma, além dos presidentes da Câmara, Michel Temer (SP), e do Senado, José Sarney (AP), às vésperas das convenções do PMDB e do PT, marcadas para sábado e domingo. "A simbologia dessa aliança é muito forte", resumiu Temer.

 

As cúpulas dos partidos acertaram, ainda, que haverá dois palanques para Dilma em Santa Catarina e no Pará. No Maranhão, o PT vai anular o encontro que aprovou o apoio a Flávio Dino (PC do B) e liberar o voto. É uma forma velada de avalizar a reeleição de Roseana Sarney (PMDB).

Tudo o que sabemos sobre:
Fernando PimentelPTPMDB

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.