Pimentel e Aécio tentam tirar afilhado do 3º lugar

Governador e prefeito vão às ruas para inflar popularidade de Lacerda

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

30 Julho 2008 | 00h00

O candidato do PSB à Prefeitura de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, admitiu ontem que aposta mesmo suas fichas na popularidade do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT) para reverter a desvantagem verificada nas primeiras pesquisas de intenção de voto. Após uma pausa de 16 dias, Aécio e Pimentel voltaram a participar juntos de um corpo-a-corpo com o socialista, no centro da capital. Para Lacerda, o governador e o prefeito são os "grandes fiadores" de sua candidatura. "Todas as nossas avaliações mostram isso. Eles têm uma grande capacidade de transferência de votos e estamos muito seguros da nossa vitória." Pesquisa do Ibope divulgada nos últimos dias mostra que a candidata do PC do B, Jô Moraes, largou na frente na disputa, seguida por Leonardo Quintão (PMDB). Jô alcançou 17% da preferência do eleitorado, Quintão, 14%, e Lacerda, 8%. Aécio e Pimentel insistiram ontem no discurso de que o candidato do PSB ainda é um desconhecido na cidade e a desvantagem será revertida após o início da campanha no rádio e na TV, em 19 de agosto. Enquanto Lacerda terá cerca de 12 minutos diários, Jô terá 2. A estratégia é reforçar a vinculação de Lacerda com a "continuidade" da parceria administrativa entre município e Estado. Aécio aposta que os altos índices de popularidade que ele e Pimentel mantêm serão transferidos para o socialista. "Se essa aprovação existe é porque há uma percepção da população de que a nossa aliança tem sido positiva. E, obviamente, se Márcio encarna a continuidade dessa aliança, ele terá vantagem." Para o prefeito, trata-se de uma "questão de tempo". "Lacerda não é conhecido porque nunca disputou eleição e é natural que num primeiro momento as pesquisas mostrem uma vantagem temporária dos candidatos que já são conhecidos. Quando começar o horário gratuito de televisão aí essa vantagem desaparece." "Achamos que é hora de trabalhar, o candidato tem de ir para a rua, mostrar a cara como está fazendo", disse Aécio, destacando que participará da campanha fora do expediente e nos fins de semana. O secretário Nacional de Assuntos Institucionais do PT, Romênio Pereira, minimizou a reação de petistas da Executiva Nacional, que acusam Pimentel de desobedecer ao veto para aliança formal com o PSDB. Para Pereira, a direção nacional deveria se preocupar em ganhar a eleição, "mais do que ficar dizendo que vai punir A, B ou C". Jô Moraes conseguiu arregimentar a dissidência petista contrária à costura do governador e do prefeito e procura polarizar a disputa com o socialista.

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