Pimentel diz não estar preocupado com pedido de explicação sobre consultorias

Ministro é alvo de denúncias de que teria faturado R$ 2 mi com consultorias, sob suspeita de tráfico de influência

Tânia Monteiro, enviada especial de O Estado de S. Paulo

27 de março de 2012 | 11h10

NOVA DHELI, Índia - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, que integra a comitiva da presidente Dilma Rousseff na viagem à Índia, disse nesta terça-feira, 27, "não estar preocupado" com o pedido de esclarecimento feito pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República , em relação aos negócios realizados pela sua empresa de consultoria em 2009 e 2010, antes de assumir a pasta. "Preocupação nenhuma", declarou o ministro, ao ser questionado sobre o caso. Ele disse ainda que não conversou com a presidente sobre o assunto.

Em entrevista, no lobby do hotel onde está hospedado em Nova Dheli, o ministro considerou "absolutamente natural" a iniciativa da comissão de pedir esclarecimentos sobre o caso. Pimentel é alvo de denúncias de que sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010, o que levantou suspeitas de tráfico de influência junto à prefeitura de Belo Horizonte, comandada anteriormente por ele.

"O que tem é uma representação. A Comissão de Ética entendeu que eu devo apresentar esclarecimentos sobre a representação. Não é uma investigação. Não é nada. Eu presto os esclarecimentos e a comissão decide o que vai fazer", declarou Pimentel. Segundo o ministro, a representação certamente só será apresentada a ele quando retornar da viagem, na semana que vem. Como não foi ainda notificado, o ministro acredita que terá dez dias para apresentar sua defesa, conforme foi noticiado. "Devem ser dez dias a partir do momento que eu for comunicado. Mas, certamente será só na semana que vem e aí eu entrego lá o meu arrazoado, meus esclarecimentos. Mas vamos ver o que é que eles estão pedindo. Não sei o que é, mas acredito que não vão pedir nada de específico, que vão pedir coisas genéricas. Mas, não sei, vamos ver, deixa eles me oficiarem", observou.

Em dezembro, no auge das denúncias, a presidente Dilma Rousseff orientou o ministro Pimentel a resistir às acusações relacionadas aos negócios de sua empresa de consultoria em Belo Horizonte. Na conversa, na época, a presidente lembrou que ela é um exemplo de quem sobreviveu a uma onda de acusações, numa referência ao período em que, como chefe da Casa Civil, teve seu nome relacionado à montagem de um dossiê sobre gastos do governo tucano de FHC. Na ocasião, Dilma negou participação no episódio.

Pimentel, no entanto, negou que a presidente tivesse lhe orientado a resistir. "Ela não comentou nada não", prosseguiu o ministro, que não quis responder perguntas sobre os problemas do governo com o Congresso. "Não vou falar sobre isso não. Nem sei se tem imbróglio do governo", desconversou.

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