Pimentel derrota Patrus em disputa por pré-candidatura pelo PT

Ex-prefeito de Belo Horizonte obteve 52% dos votos; o adversário, 48%

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

03 Maio 2010 | 18h49

BELO HORIZONTE - O ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, derrotou o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, na disputa pela indicação como pré-candidato do PT ao governo de Minas. O resultado facilita as negociações para que o partido ceda a cabeça de chapa ao senador Hélio Costa (PMDB), como deseja o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e exige o PMDB para fechar o acordo nacional em torno da candidatura presidencial da ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nesse caso, por ter vencido a prévia, Pimentel deverá se candidatar ao Senado.

 

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Os números finais da consulta interna realizada no domingo foram divulgados oficialmente pelo PT-MG no início da noite desta segunda-feira,3. Pimentel obteve aproximadamente 52% dos votos válidos (16.346 votos) e Patrus 48% (15.093 votos).

 

A vitória do ex-prefeito, um dos principais coordenadores da campanha presidencial de Dilma, representa um alívio para o Palácio do Planalto e a direção nacional do PT. Embora tenha uma relação bastante desgastada com Costa desde a eleição para a prefeitura da capital mineira em 2008, Pimentel não é visto como obstáculo para um acordo com os peemedebistas. Ele vinha adotando um discurso mais conciliador do que Patrus, deixando claro que o diretório irá respeitar a política nacional de alianças e descartando a possibilidade de palanque duplo em Minas.

 

O ex-prefeito mantém a estratégia de tentar adiar ao máximo a definição do nome da base aliada no segundo maior colégio eleitoral do País, mas já trabalha abertamente com a hipótese de concorrer ao Senado.

 

"Fui escolhido pelo partido para compor a chapa majoritária prioritariamente como (candidato a) governador, mas se não for para governador a chapa tem uma outra vaga que é o Senado", disse ao Estado. "Não posso excluir essa possibilidade, até porque ela é compatível com a ajuda que eu dou na campanha da ministra Dilma".

 

Temer

 

Pimentel participou ontem (03) ao lado da presidenciável petista da abertura oficial da ExpoZebu, em Uberaba (MG) e conversou sobre o impasse em Minas com o deputado Michel Temer (SP), presidente da Câmara. O ex-prefeito disse recebeu um sinal positivo de que o encontro do PMDB marcado para o próximo dia 15 poderá ser adiado. Neste evento, os peemedebistas deverão anunciar oficialmente o apoio a Dilma e apresentar o nome de Temer como candidato a vice na chapa. A pedido de Pimentel, o presidente da Câmara deverá propor o adiamento do encontro para o dia 22.

 

"O que nos daria mais tempo para processar esse assunto em Minas Gerais", observou o ex-prefeito.

 

O PT-MG tenta ganhar tempo e oficialmente o nome do vencedor da prévia ainda terá de ser submetido à aprovação no encontro estadual do partido, marcado para os dias 21, 22 e 23. Peemedebistas mineiros andam, contudo, irritados com a tática petista. "A pressa do PMDB não é tão grande que impeça a nossa negociação ou o amadurecimento dessa decisão", minimizou Pimentel.

 

"Não está escrito em nenhum lugar que essa aliança vai ser com A ou B na cabeça. Pode ser conosco e não com o Hélio Costa. Isso depende da negociação, da reflexão política que vamos fazer. Agora começa esse processo em nível regional e depois se for o caso também em nível nacional. Nós vamos ter tempo".

 

Vitória

Antes mesmo da divulgação oficial, o ex-prefeito, com base em apuração paralela, já contabilizava a vitória. Nas últimas disputas internas com o grupo de Patrus, Pimentel havia saído vencedor. "O retrospecto nosso mostrava que nós tínhamos maioria no partido. Não sei de onde eles tiraram que poderiam alterar esse quadro. O resultado deu dentro da lógica. Não seria uma diferença grande, mas o suficiente para ganhar", ressaltou.

 

Como era esperado, a prévia petista foi marcada pela pouca adesão da militância. Dos cerca de 108 mil filiados aptos a votar em 605 municípios, compareceram às urnas 31.710 militantes em 404 cidades. Foram registrados 104 votos brancos e 167 votos nulos.

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