Ed/Ferreira/Estadão
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Pimentel apresenta auditoria e diz que governos tucanos em Minas foram marcados por 'ausência de gestão'

Governador apresentou os primeiros dados sobre as gestões passadas que, segundo levantamento do governo, deixaram um déficit de mais de R$ 7 bilhões

Marcelo Portela, correspondente, O Estado de S. Paulo

06 Abril 2015 | 17h36

Atualizado às 21h30

Belo Horizonte - O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), usou nesta segunda-feira, 6, dados de uma auditoria sobre administrações anteriores para questionar o chamado choque de gestão, principal bandeira do senador tucano Aécio Neves (MG) durante seus dois mandatos à frente do Executivo mineiro. O grupo político de Aécio comandou Minas de 2003 até o ano passado.

O governo do petista divulgou números que apontam perda da capacidade de investimento do Estado, crescimento acelerado dos gastos de custeio bem acima da receita e uma dívida bruta que saltou de R$ 52,1 bilhões em 2007 para R$ 93,7 bilhões em 2014. Segundo Pimentel, a situação do Estado hoje é “muito grave” por causa da “ausência de gestão e gerenciamento” nos anos anteriores.

O balanço foi elaborado pela Controladoria-Geral do Estado, comandada por Mário Vinícius Spinelli – responsável por desarticular a máfia dos fiscais na Prefeitura de São Paulo. 

O governo mineiro prevê déficit de R$ 7,3 bilhões em 2015, incluindo R$ 1,1 bilhão de despesas de exercícios anteriores não pagas. Em 2014, de acordo com o governador, o déficit foi de R$ 2,2 bilhões. 

“O que o Estado tem a oferecer é um déficit. Ele não caiu do céu. Vem sendo construído. Não estamos falando de um governo que ficou três meses, seis meses. Estamos falando de um governo que ficou aí anos”, disse Pimentel. 

Segundo ele, há cerca de “cinco centenas” de obras paradas em Minas. O site Diagnóstico MG, criado para divulgar os dados da auditoria, afirma que há 346 obras próprias do Estado paradas e outras 151 feitas em parceria que “também estão às moscas”. 

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Cidade Administrativa. O atual governo também questionou a construção da Cidade Administrativa – concluída em 2010 e que reúne a sede do governo e secretarias –, considerada a principal obra da gestão de Aécio. As administrações anteriores sempre alegaram que o empreendimento custou pouco mais de R$ 900 milhões e foi feito para reduzir gastos com o custeio da máquina. 

Porém, de acordo com o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, o Executivo desembolsou “aproximadamente R$ 2 bilhões” para fazer o conjunto de prédios públicos que, segundo ele, “não gera retorno nenhum”. “Não teve economia nenhuma de aluguel com a Cidade Administrativa”, disse. 

Segundo o governo, além do gasto mensal de R$ 10 milhões com a manutenção da estrutura, que abriga a maior parte da administração estadual, o gasto do Estado com aluguéis passou de R$ 13,5 milhões em 2010, quando a obra foi concluída, para R$ 66,3 milhões ano passado. “Houve explosão de custeio e contratos que não têm gerenciamento”, disparou o secretário.

Em sua rápida apresentação, Pimentel declarou que o objetivo da auditoria, batizada pelo governo de “diagnóstico”, não é “procurar culpados nem jogar pedra no passado”. “Não é uma disputa política. Vamos ter que recuperar a capacidade gerencial do Estado, porque atualmente ela inexiste. Ela vai ser recuperada”, disse o petista, que em nenhum momento citou o nome de Aécio ou de seus sucessores, o também senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Alberto Pinto Coelho (PP).

‘Indícios’. Magalhães, no entanto, afirmou que já foram encontrados diversos indícios de irregularidades nas gestões anteriores, que estão sendo investigados por meio de auditorias próprias. “Estamos detectando problemas e abrindo auditorias onde for necessário. Elas precisam ser finalizadas. Não há contenção para não investigar, independentemente de onde estiver o problema”, afirmou.

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