Pimenta diz que "não dialoga sobre pessoas mortas"

O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, recusou-se a comentar nesta terça-feira, em Belo Horizonte, declaração do antecessor Luiz Carlos Mendonça de Barros de que ele teria mentido ao afirmar, em entrevista exclusiva publicada no Estado, no domingo, que o falecido ministro Sérgio Motta deixara um projeto permitindo a sobrevida da pasta.Pimenta considerou desnecessário falar sobre o assunto por dois motivos: "Fatos são fatos", disse. "E não vou dialogar sobre pessoas mortas", completou. O ministro, que participou na capital mineira, em companhia do presidente nacional do PSDB, deputado federal José Aníbal, de uma reunião com a bancada estadual de tucanos - muitos dos quais descontentes com a cúpula do partido e ameaçando uma debandada para outras legendas - , aproveitou a ocasião para fazer críticas a uma parcela do PMDB. Para Pimenta, o partido está divido em relação à manutenção ou não do apoio ao governo federal por causa do "radicalismo de algumas lideranças". "O PMDB tem de ser mais claro, porque apoiar o governo não é só dividir louros", disse."Agora, por exemplo, nessa crise energética, os partidos devem manifestar claramente o apoio ao governo", acrescentou, lembrando que quem não fizer isso poderá se arrepender depois, quando os problemas no setor de energia forem solucionados. Pimenta voltou a admitir ser pré-candidato do PSDB à presidência e assegurou que tem recebido manifestações de apoio, inclusive, de governadores peemedebistas.O objetivo do encontro de Pimenta da Veiga e José Aníbal com os tucanos mineiros, realizado na Assembléia Legislativa, foi ouvir as reclamações cada vez mais freqüentes dos parlamentares do PSDB mineiro e procurar tranqüilizá-los, com promessas de maior empenho do governo federal no Estado.Segundo resumiu o ex-governador Eduardo Azeredo, presente ao encontro, a queixa geral é que os tucanos de Minas têm assumido apenas o ônus de ser do partido do presidente Fernando Henrique Cardoso e não os benefícios que isso poderia trazer. Azeredo lembrou que muito tem sido feito pelo presidente e sua equipe em Minas, mas que os atos não têm chegado ao conhecimento da opinião pública.Para piorar a situação, dizem os correligionários de Fernando Henrique no Estado, os tucanos ainda têm sido vítimas do oportunismo político do atual governador Itamar Franco (PMDB) e de seus aliados, que aproveitam todos os pontos negativos do governo federal - o mais recente deles é a crise no setor energético - para atacar o PSDB e fazer campanha política, visando a sucessão presidencial e a corrida ao Palácio da Liberdade. José Aníbal disse que a insatisfação deve ser revertida, seja pela liberação de verbas para Minas ou pela discussão mais intensa, em Brasília, de projetos que interessam ao Estado."O que for possível fazer, sob o ponto de vista federal, com o propósito de ter uma bancada atuante que sirva bem ao povo de Minas, eu vou fazer", disse."Não sei se é liberação de verbas, ou se é conversa sobre projetos que interessam a Minas e que têm a ação de nossos deputados tanto federais quanto estaduais", acrescentou. O parlamentar também garantiu aos colegas mineiros que o PSDB deverá fazer o sucessor de Fernando Henrique.Em sua argumentação, ele lembrou que, em setembro de 1993, nenhum analista político acreditava que os tucanos fossem lançar um candidato forte à sucessão de Itamar Franco. Um ano depois, no entanto, Fernando Henrique era eleito presidente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.