Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Picos de novos seguidores de Bolsonaro coincidem com crises do governo, diz estudo da USP

Crises de repercussão na imprensa, como aumento de queimadas na Amazônia, foram revertidos em engajamento e novos seguidores

Tiago Aguiar, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2020 | 05h00

Um estudo elaborado pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital da Universidade de São Paulo (USP) mostra que, no último ano, a base de seguidores do presidente Jair Bolsonaro em todas as redes sociais oficiais cresceu acima da média em momentos de crise.

A pesquisa, que analisou as contas do Facebook, YouTube, Instagram e Twitter do presidente, sugere que, ao longo do último ano de governo, ocorreu uma série de alinhamentos da base pró-Bolsonaro para defendê-lo, pela radicalização e negação da avaliação de especialistas de ações do governo.

Segundo o relatório, crises de repercussão na imprensa, como os atos contra os cortes na Educação, o depoimento do porteiro do condomínio Morada do Sol associando a família Bolsonaro ao assassinato da vereadora Marielle Franco e o aumento expressivo de queimadas na Amazônia, foram revertidos em engajamento e ganhos de novos seguidores, com expressão mais notável no Facebook.

O pronunciamento, do último dia 24, em que Bolsonaro defendeu o isolamento social apenas para pessoas do grupo de risco do novo coronavírus, causou aumento do número de seguidores cerca de dez vezes maior do que a média, o maior aumento desde março do ano passado.

Márcio Moretto Ribeiro, coordenador do Monitor do Debate Político no Meio Digital e autor do estudo, avalia que o levantamento não é contraditório com quedas de aprovação do governo nos mesmos períodos.

Segundo o professor da USP, o fenômeno é possível porque os novos apoiadores são ou se tornam mais radicais e negam especialistas apresentados pela imprensa como premissa. "Como pesquisas indicam queda de aprovação de seu governo no mesmo período, o que fica sugerido é um realinhamento de sua base de apoio que se torna menos numerosa porém mais radical".

A reprovação ao governo atingiu 42% em abril, ante 36% em março, de acordo com edição da 'Pesquisa XP com a População', realizada pela instituição em parceria com o instituto Ipespe divulgada nesta sexta-feira.

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