Picciani protocola pedido para voltar à liderança do PMDB

Deputado consegue 36 assinaturas após Marco Antonio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, e Pedro Paulo Carvalho, secretários dos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro reassumirem seu mandatos

Daiene Cardoso e Adriano Ceolin, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2015 | 11h19

Brasília - Com o apoio de parlamentares que reassumiram seu mandato nesta quinta-feira, 17, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) protocolou nesta manhã uma lista com 36 assinaturas favoráveis a sua recondução para liderança da bancada do partido na Câmara dos Deputados. Picciani precisa apenas da conferência das assinaturas pela Secretaria da Casa para reassumir a posição atualmente ocupada por Leonardo Quintão (PMDB-MG).

 

Com a presença nesta manhã na bancada de Marco Antonio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, e Pedro Paulo Carvalho, secretários dos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro que reassumiram seus mandatos para garantir a retomada da liderança, a bancada atingiu 69 parlamentares. Segundo Picciani, os parlamentares que vieram nesta quinta representam a posição do diretório estadual do Rio.

 

Picciani adotou um discurso de reconciliação e união dos peemedebistas. "Não há nenhum sentimento de revanchismo, de disputa. Nós queremos unificar a nossa bancada no que for possível, queremos buscar o máximo de convergência", comentou.

 

Ele criticou o uso de lista para mudança de liderança e disse esperar que sua recondução finde "medidas cartoriais" no partido. "Fui vítima de um instrumento de força, de um instrumento que é ruim para o partido, que é o uso de lista porque constrange os deputados", concluiu. O peemedebista disse que foi o obrigado a recorrer a lista por ser a única forma de voltar a ser líder.

 

Picciani considera que seu retorno restaura uma posição ao qual ele foi eleito em fevereiro deste ano. O deputado acredita que o racha na bancada se deu por causa do momento tenso que o País vive. "É preciso que todos recolham suas armas e busquem dialogar para que o PMDB ajude o País sair dessa situação", apelou.

 

O líder ressaltou que continuará dialogando com a presidente Dilma Rousseff porque a falta de interlocução com o governo era uma das críticas dos peemedebistas. Ele reiterou que tem uma posição pessoal contra o pedido de impeachment da presidente, mas que respeitará as posições pessoais e que não vai impor sua opinião à bancada, e sim buscará o convencimento político dos peemedebistas. "Ninguém é dono do voto de ninguém na bancada", declarou.

 

Sobre uma reaproximação com o vice-presidente e líder nacional do PMDB, Michel Temer, Picciani disse que vai telefoná-lo para comunicar sobre a decisão da bancada de restituí-lo à liderança e que se colocará à disposição para trabalhar pela unidade do partido. "Fui envolvido numa falsa polêmica. Eu não fiz nenhuma crítica ao presidente Temer. Tenho grande apreço, é a principal liderança de nosso partido. Portanto buscarei o diálogo com ele e com as demais lideranças do partido", disse. 

Embate. Com o aval de Temer e seu grupo político, Quintão havia reunido mais apoio para ficar com o posto de líder. Principalmente depois que Picciani se negou a indicar integrantes da ala oposicionista do partido na comissão especial que avaliará o impeachment de Dilma.

Ainda na semana passada, o Palácio do Planalto se dispôs a ajudar Picciani na sua estratégia de recuperar a liderança. Temer recomendou a ministros de Dilma que não se envolvessem no assunto do partido. Ele ameaçou antecipar a convenção da sigla para romper com o governo.

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