Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Picciani prevê em reunião que Dilma cairá em 90 dias, diz jornal

Jorge Picciani, pai do deputado e líder da bancada na Câmara Leonardo Picciani, adotou o discurso de que o vice-presidente Michel Temer é a pessoa capaz de tirar o País da crise que a unidade do PMDB é crucial neste momento de incerteza

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 12h55

Rio - Um dos mais contundentes defensores da permanência de Dilma Rousseff no cargo até agora, o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, pai do líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani, avaliou em uma reunião fechada, na última quarta-feira, 8, que a presidente cairá em 90 dias. Reportagem publicada nesta sexta-feira, 11, pelo jornal "Extra" reproduz o comentário de Picciani, que também preside a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). 

O dirigente peemedebista falava sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal do Estado, enviada pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) ao Legislativo e que enfrenta forte resistência inclusive dos aliados. "Se você perguntar minha opinião, o governo federal vai cair nos próximos meses. A crise vai aumentar aqui (no Rio de Janeiro). Essa é uma opinião política. Não fui eu que dei ela aqui", afirmou Picciani. 

O presidente do PMDB-RJ disse a aliados que suas declarações na reunião da última quarta-feira foram gravadas sem que ele soubesse e reclamou de "deslealdade" de um dos presentes. Segundo um participante da reunião, o presidente do PMDB-RJ criticava Pezão por acreditar que a proximidade com a presidente Dilma pode ajudá-lo a resolver a grave crise econômica do Estado.

Nesse contexto, o peemedebista disse acreditar que Dilma não conseguirá se sustentar no governo. Esta é, de fato, a avaliação de lideranças do PMDB-RJ, depois das notícias sobre a delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), ex-líder do governo no Senado, que ficou preso por três meses na Operação Lava Jato, acusado de tentar dificultar as investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobrás. Delcídio disse que Dilma tentou influenciar no Judiciário para que executivos de empreiteiras presos preventivamente fossem soltos.

O avanço das investigações que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por suspeita de ocultação da propriedade de um apartamento em Guarujá e um sítio em Atibaia, também colaboram para aumentar a fragilidade de Dilma, na avaliação de peemedebistas fluminenses. 

Jorge e Leonardo Picciani se reaproximaram de Dilma no ano passado, depois de apoiarem o tucano Aécio Neves na disputa presidencial de 2014. Leonardo negociou diretamente com a presidente a indicação dos ministros da Saúde, Marcelo Castro, e de Ciência e Tecnologia, Celso Pansera. O líder se indispôs com a ala oposicionista do PMDB e chegou a ser afastado da liderança por uma semana. Mas manteve o discurso contra o impeachment e em defesa de Dilma.

Agora, no entanto, os Picciani veem grande desgaste da presidente, mas não adotarão postura defendida por boa parte do PMDB, de rompimento ou de independência em relação ao governo. "Eles não vão tripudiar, mas sabem a situação é muito mais difícil agora", diz um aliado dos Picciani.  

Jorge Picciani adotou o discurso de que o vice-presidente Michel Temer é a pessoa capaz de tirar o País da crise que a unidade do PMDB é crucial neste momento de incerteza sobre o futuro de Dilma. A tese de peemedebistas para um possível governo Temer é que ele adote um discurso de conciliação com o Congresso, para aprovar um pacote fiscal mínimo, reduza drasticamente o número de ministérios e diga que não tem intenção de disputar a  reeleição em 2018, como forma de atrair a confiança de líderes partidários.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.