Picciani nega ter recebido propina da Odebrecht

O engenheiro Benedicto Barbosa Júnior acusou o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de exigir pagamento de propina da empreiteira em três campanhas eleitorais

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2016 | 21h30

RIO - O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, deputado Jorge Picciani (PMDB), chamou de "um apanhado de mentiras" a acusação do engenheiro Benedicto Barbosa Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, de que ele exigiu pagamento de propina da empreiteira em três campanhas eleitorais no Estado. A informação, parte da delação premiada do executivo, foi veiculada na edição deste sábado, 5, do jornal O Globo

A delação de Benedicto Barbosa Júnior - conhecido como BJ e apontado como braço direito do empreiteiro Marcelo Odebrecht - e de mais de 70 outros executivos da Odebrecht deverá ser assinada nos próximos dias, informou ainda o jornal. BJ revelou que o dinheiro supostamente destinado a Picciani, presidente estadual do PMDB, foi depositado em contas que o BVA, banco liquidado em 2013, possuía no exterior. O executivo não teria dito a quais campanhas seriam destinados os valores, tampouco quanto seria o montante.

Picciani respondeu que a reportagem de O Globo não apresenta "qualquer prova" da suposta cobrança. "Em primeiro lugar, é calunioso relacionar a palavra 'propina' à minha conduta. Não participo de decisões relacionadas a obras feitas no Estado, sejam elas de âmbito federal, estadual ou municipal. Nunca atuei como tesoureiro de campanha de nenhum candidato do PMDB. E nunca houve pedido de caixa dois - nem à empresa citada na reportagem, nem a nenhuma outra - para campanhas políticas, sejam elas as minhas próprias, sejam as de outros candidatos, a qualquer tempo. Todas contribuições feitas às minhas campanhas foram de forma espontânea, declaradas à Justiça Eleitoral, com contas aprovadas", afirmou o deputado, em nota.

BJ foi preso em caráter temporário por ordem do juiz Sergio Moro no âmbito da Operação Acarajé, 23ª etapa da Lava Jato, em fevereiro. De acordo com investigações da Polícia Federal, ele era homem da inteira confiança de Marcelo Odebrecht, preso desde 2015. Odebrecht é acusado de comandar esquema de corrupção da empresa e foi condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

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