PIB de 1,9% já era esperado, afirmam parlamentares

Parlamentares do governo e da oposição avaliaram, em declarações à Agência Estado, que o crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) já era esperado. No entender do deputado José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, as medidas que o governo adotou para conter os efeitos da crise, como isenção do IPI de automóveis e de eletrodomésticos da linha branca, incentivaram o consumo e estimularam o crescimento. Aníbal observou, porém, que esse crescimento está sustentado pelo poder de endividamento das famílias, que usaram da oferta de microcrédito para comprar bens de consumo. A partir de agora, na avaliação do deputado, o governo precisa se preocupar com novas medidas para estimular o crescimento de outra maneira.

CAROL PIRES E DENISE MADUEÑO, Agencia Estado

11 de setembro de 2009 | 13h51

O senador Francisco Dornelles (PP-RJ), presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Crise Financeira, também afirmou que as medidas anticrise adotadas pelo governo foram determinantes para a recuperação da economia nacional. Dornelles, que foi ministro da Fazenda no governo José Sarney, aconselha a equipe econômica do governo a manter a desoneração tributária.

"O resultado foi muito positivo e é decorrência de uma política que considero excelente na área fiscal, monetária e creditícia. O governo reduziu os impostos de setores importantes, que podem alavancar a economia, como os setores de automóveis e da construção civil. No setor monetário, caíram o spread e os juros e, no caso do crédito, aumentou-se muito a oferta, principalmente pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal", disse o ex-ministro. "Não houve crescimento em relação ao ano anterior. Então, ainda é preciso manter a desoneração. Será um erro voltar ao nível de tributação anterior."

O senador Pedro Simon (PMDB-RS), integrante da Comissão Especial de Acompanhamento da Crise Financeira, disse que o resultado do PIB divulgado hoje deve ser encarado com racionalidade: "Nem dá para dizer que piorou, mas não dá para dizer que é ótimo. O PSDB dirá: ''Que péssimo, estamos piores em relação ao ano passado.'' E o presidente Lula dirá: ''Poxa, que bom, estamos ótimos.'' Os dois estão exagerando."

"O Brasil está saindo da crise. Mas não diria que só o Brasil está. O mundo todo está encontrando um caminho para essa situação. O problema dos Estados Unidos agora é o problema da saúde, que é um problema de 50 anos. Daquela crise financeira pior, bancária, já não se fala mais. Então, estão todos saindo da crise, e o Brasil está saindo junto", concluiu Simon.

Tudo o que sabemos sobre:
crescimentoPIB

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.