Philips entra na campanha contra impunidade e corrupção

Multinacional holandesa é a primeira empresa a participar de movimento 'Cansei' liderado pela OAB-SP

Marianna Aragão, do Estadão,

27 de julho de 2007 | 19h54

A Philips do Brasil foi a primeira grande empresa brasileira a aderir publicamente ao Movimento Cívico pelo Direto dos Brasileiros, campanha lançada na última quinta-feira, 26, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, com o lema "Cansei" contra a impunidade e corrupção.  Em anúncio que preencheu meia página nos principais jornais brasileiros desta sexta-feira, a multinacional holandesa estampou sua adesão à ofensiva, da qual participam também empresários, advogados, industriais, banqueiros e profissionais liberais. "A Philips, por meio do movimento ‘Cansei’, quer mostrar sua indignação com diversas situações que têm abalado nosso País", diz o anúncio.  O presidente da Philips para a América Latina, Paulo A. Zottolo, explica que a mobilização não é crítica a um setor determinado ou ao governo. "Simplesmente chegou a hora de o cidadão se horrorizar com as situações que acontecem no País, e a Philips, como empresa-cidadã, está fazendo isso." O "Cansei" foi caracterizado por seus líderes como um "movimento apartidário e apolítico". Segundo Zottolo, a iniciativa não foi motivada apenas pelo acidente da TAM e o caos aéreo, mas por vários fatos que acontecem sistematicamente no Brasil. "Se você parar para pensar, só nos últimos 12 meses, tivemos buraco do metrô, dólar na cueca e tiroteio nas favelas: é tanta coisa, que a população vai se esquecendo." Ele acredita que a tragédia em Congonhas tenha sido a "gota d’água". Os executivos da Philips participaram das reuniões prévias ao lançamento do movimento "Cansei", que também tem a adesão de outros empresários. A companhia, porém, foi a primeira a tornar pública a decisão. "Gostaria que outras empresas fizessem o mesmo, apesar de essa não ter sido a intenção de nosso manifesto", explica Zottolo. Para o executivo, muitos empresários brasileiros ainda se preocupam em externar sua indignação. "O meio empresarial tem medo de sofrer represálias."  A empresa também dirigiu comunicados a todos os cinco mil funcionários na manhã desta sexta-feira, explicando o porquê da manifestação e convidando-os a participar do minuto de silêncio que acontecerá no próximo dia 17 de agosto, quando completa um mês da tragédia com o Airbus A-320 da TAM. Clientes e fornecedores da multinacional receberão pedidos de apoio para o manifesto do dia 17, informou a Philips.

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