Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PGR questiona decisão que negou medidas cautelares à mãe de Geddel

Procuradoria-Geral também recorreu da decisão que negou medidas ao deputado federal Lúcio Vieira Lima, irmão do ex-ministro

Téo Cury, O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 21h01

BRASÍLIA - A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu da decisão do ministro Edson Fachin, que nesta semana negou a imposição de medidas cautelares a Marluce Vieira Lima e ao deputado federal Lúcio Quadros Vieira Lima (MDB-BA), mãe e irmão do ex-ministro Geddel Viera Lima.

Eles foram denunciados por lavagem de dinheiro e associação criminosa na ocultação de mais de R$ 51 milhões em caixas e malas em um apartamento em Salvador (BA). Na avaliação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a decisão não considerou novos elementos reunidos pela Polícia Federal e apresentados pelo Ministério Público Federal em 15 de fevereiro.

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Diz ainda que desconsiderou que um volume milionário em dinheiro vivo envolve indícios de crimes antecedentes, como corrupção (atuação de Geddel na Caixa e de Lúcio em favor da Odebrecht), peculato (apropriação de salários de secretários parlamentares) e, ainda, resultado de outros ciclos de lavagem, como venda simulada de gado e aluguel fictício de máquinas agrícolas.

 

"São indícios de fatos que potencialmente se relacionam, que são contemporâneos e, em sinergia, compuseram a face mais visível e eloquente do enriquecimento criminoso da família Vieira Lima: as malas e caixas com milhões de reais e dólares ocultados", diz, em parecer.

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Raquel pede que a mãe de Geddel, Marluce Viera Lima, cumpra prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, pague fiança equivalente a 400 salários mínimos e seja proibida de manter contato com os secretários parlamentares do filho deputado ou recebê-los em casa ou utilizar seus serviços.

Em relação a Lúcio Vieira Lima, a procuradora-geral pede que seja estabelecido recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga, com monitoramento eletrônico e fiança em valor equivalente a 400 salários mínimos. Segundo Raquel, o valor da fiança leva em consideração a situação financeira do parlamentar, que declarou ao Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2014 ter patrimônio equivalente a mais de R$ 7,7 milhões.

Defesa. De acordo com nota da PGR, a instituição também encaminhou ao Supremo manifestação em relação aos argumentos apresentados por Geddel, Lúcio e Marluce, que questionam diversos pontos do processo, com o argumento de que houve prejuízo à defesa. No documento, Raquel rebate as alegações e requer autorização para o compartilhamento dos elementos de informação com as Procuradorias da República no Distrito Federal e na Bahia.

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