UESLEI MARCELINO|Reuters
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PGR pede ao STF análise de delação de Delcídio para possível abertura de inquéritos na Lava Jato

Procuradoria-Geral da República quer que informações da delação do senador e ex-líder do governo no Senado sejam separadas em 20 partes

Gustavo Aguiar e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2016 | 15h21

Brasília - A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que as informações contidas na delação premiada do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) sejam divididas em 20 partes para procedimentos iniciais sobre possíveis investigações no âmbito da Operação Lava Jato.

Em acordo com a PGR, o ex-líder do governo no Senado relatou sobre crimes que teriam sido cometidos pela presidente Dilma Rousseff e pelo vice, Michel Temer, pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), entre outros.

Com base na delação, Dilma, Lula e Mercadante poderão ser implicados por suposto crime de obstrução da Justiça; Temer poderá responder a inquérito por participação direta no esquema investigado pela Lava Jato. Já Aécio poderá ser investigado por suposto beneficiamento em um esquema de pagamento de propina em Furnas.

O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, terá de autorizar a instauração dos inquéritos contra os citados por Delcídio. Com a autorização de Teori, a PGR irá analisar se há elementos suficientes sobre condutas ilegais de pessoas mencionadas pelo senador e que sustentem a abertura de novos inquéritos no Supremo ou na Justiça Federal de Curitiba.

Preso por tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato, Delcídio firmou acordo para se livrar das acusações e fez uma série de denúncias contra os ex-colegas do PT. Depois de sair da cadeia, o senador pediu a desfiliação do partido.

O senador acusou Dilma de tentar interferir em pelo menos três ocasiões nas investigações sobre o esquema de corrupção da Petrobrás. Em uma delas, a presidente teria influenciado na nomeação do ministro Navarro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça.

Segundo Delcídio, Dantas deveria votar na Corte pela soltura de empreiteiros como Marcelo Odebrecht e Márcio Faria, presos preventivamente em Curitiba. O ministro, ao ser nomeado, assumiu a relatoria da Lava Jato no STJ e votou para que os empreiteiros fossem soltos, mas acabou vencido. Navarro Dantas nega.

O senador também contou aos investigadores que o vice-presidente Temer teria "apadrinhado" dois investigados na Lava Jato à frente da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, e da própria estatal. Segundo o senador petista, o vice-presidente da República deu aval à indicação do lobista João Augusto Henriques para a BR em 1997 e ao nome de Jorge Zelada para a diretoria Internacional da Petrobrás. Temer nega as acusações.

Já o senador Aécio Neves teria sido beneficiário de um esquema de propina dentro de Furnas, liderado pelo seu ex-presidente, Dimas Toledo, com quem dividia recursos ilegais com o deputado federal José Janene, falecido em 2010.

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