PGR pede ao STF abertura de novo inquérito contra Ciro Nogueira e Edinho Silva

Além do presidente do PP e do ex-ministro, os executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS também tiveram novos pedidos de inquéritos levados ao Supremo

Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. paulo

09 Janeiro 2018 | 17h40

Atualizada às 20h30

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de novo inquérito contra o presidente do Partido Progressista (PP), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-ministro Edinho Silva (PT), além dos executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS, por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. 

As acusações giram em torno do suposto recebimento de vantagens indevidas pelo PP para apoiar a reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014 e não agir contra a ex-presidente no processo de impeachment instaurado no Congresso Nacional. 

O pedido de instauração de inquérito, feito em dezembro, é baseado na colaboração premiada feita pela JBS em maio, que, segundo a PGR, revelam o pagamento de vantagens ilícitas a Ciro Nogueira em duas situações. 

Em uma delas, Edinho Silva, hoje prefeito de Araraquara (SP), é citado como encarregado pelo PT de tratar com a J&F dos pagamentos de propina durante a campanha eleitoral de 2014, para apoio da reeleição de Dilma. No caso do PP, o valor "pelo apoio" teria sido repassado a Ciro, estipulado inicialmente em R$20 milhões. "Contudo, ao final, a empresa acabou pagando R$ 42 milhões", cita a PGR. 

Ricardo Saud, na delação, afirma que os representantes do partido sabiam que se tratava de propina do caixa do PT. 

Na segunda situação relatada pelos delatores, Joesley afirmou que se encontrou com Ciro e pediu a ele que adiasse uma reunião partidária que provavelmente decidiria pelo desembarque do PP do Governo em 2016 - o que acabou acontecendo em abril, mas com atraso. 

Para atender o pedido, o presidente do PP teria combinado receber de Joesley o valor de R$ 8 milhões, pago em março de 2017. 

"As condutas noticiadas acima, dentro do contexto de pagamento de vantagens indevidas a membro do Congresso Nacional em razão de suas funções, em especial para não agir em relação ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, apontam, pelo menos, para o crime de corrupção passiva qualificada, assim normativamente descrito", cita trecho do pedido feita pela PGR, que aponta também a possibilidade de cometimento de crime de lavagem de dinheiro. 

Ciro Nogueira é investigado em cinco inquéritos no Supremo. Procurado pela reportagem, o senador ainda não se manifestou. Segue abaixo nota enviada pela assessoria de Edinho Silva.

COM A PALAVRA, EDINHO SILVA

Todas as doações para a campanha Dilma 2014 ocorreram dentro da legalidade e é importante lembrar que  as contas foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Os partidos que apoiaram a Presidenta Dilma em sua reeleição, em sua grande maioria, já faziam parte do Governo e base de apoio desde o Governo Lula. Portanto, essa tese não tem o menor cabimento, tampouco lastro na realidade. 

 

Assessoria de Imprensa Edinho Silva

 

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