MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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PGR não vê indícios para investigar Temer na Lava Jato

O vice já foi citado por delatores da força-tarefa, mas, até o momento, não é alvo de investigação pelo órgão

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2016 | 19h54

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não vê indícios consistentes para pedir a abertura de um inquérito contra o vice-presidente Michel Temer (PMDB). O vice já foi citado por delatores da Operação Lava Jato, mas, até o momento, não é alvo de investigação pelo órgão.

A situação de Temer é mais confortável do que a da presidente Dilma Rousseff, que está na mira de Janot. O procurador-geral já vê elementos para enviar um pedido de abertura de inquérito contra ela no Supremo Tribunal Federal (STF).

Caso o impeachment de Dilma seja aprovado no Senado na próxima semana, Temer assume a Presidência interinamente, até que o julgamento do processo seja concluído. Com isso, ele passa a poder ser investigado somente por atos cometidos durante o mandato e não situações anteriores.

Temer foi um dos políticos citados na delação do senador Delcídio Amaral (sem partido – MS). Em seus depoimentos, Delcídio apontou o vice como o “padrinho” das indicações de João Augusto Henriques e Jorge Zelada para uma diretoria da Petrobrás

Segundo a força-tarefa, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também citou o nome do vice em uma conversa com o dono da OAS, Leo Pinheiro. Num dos diálogos, Cunha reclama de o empreiteiro ter feito um pagamento de R$ 5 milhões diretamente a Temer

O lobista Júlio Camargo, por sua vez, afirmou que Fernando Baiano, que também é delator na Lava Jato, mantinha contato com o vice-presidente.

Para procuradores que trabalham com Janot, essas citações foram sempre feitas de maneira indireta e não seriam o suficiente para indicar o envolvimento do vice no esquema de corrupção da Petrobrás.

Temer sempre negou envolvimento no caso e afirmou desconhecer parte dos delatores que o citaram.

Nomeações. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, o vice-presidente disse, sobre a nomeação para seu eventual governo de políticos investigados pela Lava Jato, que “investigação ainda é o que é, investigação”. “Não sei se isso é fator impeditivo de uma eventual nomeação. Estou examinando esse aspecto ainda, não defini nada”.

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