PFL vai dar xeque-mate em ACM

O presidente nacional do PFL, senador JorgeBornhausen (SC) vai aproveitar a reunião desta terça-feira da executiva do partido para dar um xeque-mate no senador Antonio CarlosMagalhães (BA).Bornhausen vai pedir aos três senadores e dez deputados que retirem suas assinaturas da CPI da Corrupção porconsiderá-la ?impatriótica?.A proposta põe ACM contra a parede, porque ele não admite recuo, mas não tem condições derecusar um apelo do partido do qual ele vai precisar para se livrar do processo de cassação no Conselho de Ética e no plenário doSenado.?Eu não retiro minha assinatura?, adiantou o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) a amigos, assim que soube daintenção de Bornhausen.O senador lembrou ainda que não pediu a ninguém para assinar e não vai pedir a ninguém para retirar.Segundo esses aliados,ACM ficou irritado ao ser surpreendido pela proposta de Bornhausen, porque esteve com ele na manhã desta segunda-feira e nada lhe foidito sobre a estratégia.O senador avisou também a esses interlocutores que não vai comparecer à Executiva porque só iria lápara divergir.ACM também não quis reconhecer que essa retirada de assinatura poderá servir para salvá-lo da cassação maistarde.A idéia de pedir a retirada das assinaturas dos pefelistas surgiu para dar um socorro ao governo, às vésperas da mobilizaçãodos partidos de oposição, que prometem protocolar nesta quarta-feira na Mesa-diretora do Congresso o requerimento que pede a criaçãoda CPI, com apoio deputados e senadores da base do governo.A ajuda ao governo foi acertada entre Fernando Henrique eBornhausen, no último final de semana, em jantar no Alvorada, e foi a salvação encontrada pelo Planalto, neste momento em quefracassaram outras tentativas de implodir a CPI.Diante da pauta da Executiva, a avaliação geral é que a reunião vai ser complicada, tensa e um sinal de que o presidente doPFL enfrentará muitas dificuldades para quebrar a resistência dos dissidentes do partido.?Se é que a Executiva vai propor isso, oPFL está querendo ser mais realista do que o rei, porque ele vai assumir o ônus do desgaste de ser contra a CPI quando doissenadores do PSDB, partido do presidente Fernando Henrique, acabaram de assinar a CPI?, reagiu, surpreso, o deputadoRonaldo Caiado (GO), ligado a ACM, quando soube da decisão de Bornhausen.?Estou pegando um avião bem cedo para chegar a tempo de participar da reunião, pois quero estar lá para discordar e comunicarque não retiro minha assinatura. É uma questão de princípio?, desabafou o deputado.?Vai ser um constrangimento enorme?, disse.Outro carlista, o deputado Ariston Andrade, embora negue que tenha sido procurado para retirar seu nome da lista da CPI,declarou que a princípio, não vai retirar. ?Só se for por um bom motivo, pois na atual conjuntura é necessário investigar todas asirregularidades."Ele afirmou ainda que ?essas novas denúncias contra o ministro (Fernando) Bezerra da Integração Nacional sóreforçam a necessidade de CPI?.ACM terá um aliado de peso presente na reunião. O senador Paulo Souto, que integra a Executiva e será cobrado a retirar suaassinatura. Caso não concorde, poderá sofrer retaliações, assim como o deputado Affonso Camargo (PR).

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