PFL trabalha indecisos a favor de ACM

Esta terça-feira foi um dia de articulações: de umlado, o PFL atuou para convencer os indecisos do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado a apoiar os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF), envolvidos na violação do painel de votações da Casa.Do outro lado, o PSDB tentava não se envolverdiretamente no caso, para que o Palácio do Planalto não seja novamente responsabilizado de negociar o "acordão" ? no qualACM atendeu ao apelo do governo, patrocinando a retirada das assinaturas dos deputados "carlistas" do requerimento decriação da CPI mista da Corrupção, tendo como contrapartida a certeza de que seria livrado da punição.Para sustentar aestratégia, os tucanos defenderam de forma ostensiva a votação aberta do relatório, o que dificulta as articulações contra acassação ou perda temporária de mandato.?O ideal é o voto aberto?, afirmou o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE). O regimento interno que orienta o Conselho de Ética não faz referências à necessidade de realizar sessão sigilosa, antesde instaurado o processo, o que, para o presidente do órgão, Ramez Tebet (PMDB-MS), é o suficiente para que ocorra votaçãoaberta. ?Vou insistir no voto aberto?, reiterou Tebet.De acordo com a Constituição, a votação secreta ocorre nas seguintessituações: processo e julgamento de presidente e vice-presidente por crime de responsabilidade; derrubada de veto dopresidente da República; escolha de ministros do Tribunal de Contas da União, magistrados, procurador-geral da República,presidente e diretores do Banco Central, embaixadores e diretores de estatais; definição de cassação ou perda de mandato.Os advogados de ACM e Arruda trabalham para evitar que o atual Conselho de Ética doSenado vote o relatório do senador Saturnino Braga (PSB-RJ), pois temem surpresas.Eles se empenham para que o processoseja retardado e votado apenas depois do dia 30 de junho, quando haverá nova eleição para o conselho, na qual poderiam serindicados nomes contrários à cassação ou à perda temporária de mandato dos dois senadores.Já integrantes do PMDBfavoráveis à punição querem que o assunto seja encaminhado rapidamente ao plenário.

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