PFL tenta barrar CPI da corrupção

Na tentativa de bloquear a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, o PFL deve iniciar hoje uma ação política que o presidente Fernando Henrique Cardoso espera seja seguida pelos demais partidos da base aliada ao governo. Em reunião da Executiva Nacional marcada para às 10 horas, o PFL deve recomendar, em carta que será endereçada aos parlamentares, que os deputados e senadores signatários do requerimento de instalação da CPI que retirem os seus nomes e aos não-signatários que não assinem o documento. Na reunião, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), fará ponderações sobre os riscos de paralisação do Legislativo pela CPI e sustentará que seus promotores têm objetivo político-eleitoral, uma vez que o governo já vem tomando providências para apurar denúncias de corrupção. A iniciativa do PFL ocorre em meio às denúncias de que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, filiado ao PMDB, teria usado recursos da Sudene para favorecer uma empresa sua, a Metasa. A situação do ministro no governo ficou delicada, e aliados do Planalto chegaram a prever que ele seria substituído por um político peemedebista com trânsito suficiente no partido para reverter o movimento pró-CPI dentro do PMDB. Mas Bezerra, ontem, após dar explicações no Palácio do Planalto aos ministros Aloysio Nunes Ferreira (Secretaria Geral da Presidência) e Pedro Parente (Casa Civil), afirmou que não vai pedir demissão e não aceita ser demitido sob suspeita de irregularidade. O ministro, que será recebido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao meio-dia de hoje, disse que não teria problema em deixar o ministério por motivos políticos, desde que o presidente deixe isso bem claro. "Mas sair como desonesto eu não aceito, porque sou um homem honrado", declarou. Ele disse que nem Nunes Pereira nem Parente sugeriram que deixasse o cargo.Barbalho pode colaborarO presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), poderá colaborar com o governo no comando da sessão do Congresso de amanhã, dia marcado pela oposição para protocolar o requerimento da CPI. Barbalho poderá alegar necessidade de mais prazo para a conferência das assinaturas e dos fatos determinados mencionados no requerimento, atrasando assim a leitura do documento. Pelo regimento, as assinaturas podem ser retiradas antes da publicação do requerimento da CPI no Diário do Congresso, feita no dia seguinte à leitura. Se decidir adiar a tramitação, Jader Barbalho poderá marcar outra sessão para a próxima semana, dando tempo ao governo de promover retirada de assinaturas e inviabilizar a CPI. PainelParalelamente às ações dos governistas contra a instalação da CPI da Corrupção, o Conselho de Ética do Senado se reúne hoje, a partir de 17 horas, para votar requerimentos pendentes e definir se a votação do relatório do senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ) sobre a violação do sigilo do painel eletrônico do plenário será secreta ou não. Enquanto isso, estará em curso no Senado, a partir de hoje, um trabalho de corpo-a-corpo dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) para tentar conquistar aliados contra a possibilidade de serem cassados os dois por causa das declarações sobre a participação de ambos na violação do sigilo do painel eletrônico de votações do Senado. Magalhães e Arruda querem conseguir apoio na sessão do Conselho de Ética em que será votado o relatório do senador Saturnino Braga (PSB-RJ) sobre o caso do painel e que deverá ser realizada após o dia 17.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.