PFL se articula para manter presidente de Furnas

O PFL começou uma discreta movimentação para manter no cargo opresidente Furnas, Luiz Carlos Santos. Alguns caciques do partido defenderaminternamente a permanência de Santos, que é do PFL, pelo menos a médio prazo. Amobilização ganhou força depois que o novo ministro das Minas e Energia, José Jorge(PFL), admitiu ao Estado a possibilidade de mudar a diretoria de Furnas por umaequipe de técnicos, para facilitar a privatização da empresa. Nesta terça-feira, José Jorge tomaráposse no cargo.Segundo um cardeal pefelista, Santos só será demitido em caso de extrema necessidadepara que se realize o projeto de privatização de Furnas. No centro da polêmica, LuizCarlos Santos evitou comentar as declarações de José Jorge. ?Não posso opinar?,disse. ?Quem fala sobre as substituições em Furnas é o ministro?, reforçou Santos.Ele adiantou que irá participar nesta terça da posse de José Jorge.O presidente de Furnas manifestou concordância com o modelo de privatização daempresa, por meio de pulverização das ações, como defendeu José Jorge. ?Não possoficar contra uma idéia que, na verdade, foi minha?, disse. Segundo Santos, o estudopara pulverização de ações foi encomendado por ele à Fundação Getúlio Vargas.Santos desviou o assunto apresentando os resultados positivos obtidos porFurnas no exercício de 2000. Os números apresentados por Santos revelam que o lucrolíquido da empresa foi de R$ 629 milhões no ano passado, o que representou umcrescimento de 80% em comparação com o resultado do ano anterior. ?Foi o maior lucro dahistória em 43 anos de existência de Furnas?, comemorou.Santos informou ainda que em 2000 a empresa pagou, somente em impostos, R$ 550milhões. O resultado da empresa foi apresentado por seu presidente na manhã desta segunda-feira,no Rio de Janeiro, em reunião para a análise de balanço com a diretoria de Furnas.Segundo ele, o nível de endividamento da empresa não chega a 10%, o que ?é compatívelcom as melhores empresas elétricas do mundo.? Para Santos, o enxugamento da empresanos últimos anos ?foi exemplar?. Como exemplo, ele citou que o número de funcionáriosque, em 1990, era de 10 mil, foi reduzido para pouco mais de 3 mil no ano passado.De Belo Horizonte, o presidente da Câmara, deputado Aécio Neves (PSDB-MG) disse nesta segunda-feiraa empresários mineiros que é favorável à privatização de Furnas, mas atualmentevê o modelo de pulverização de ações com cautela.Segundo Aécio, a venda de ações deFurnas deveria garantir condições para o aumento da capacidade de geração de energiaelétrica, o controle do governo na questão das águas e a manutenção de uma ?goldenshare? pelo governo.A posição de Aécio é diferente da defendida pelo governo e atémesmo pelo ministro Pimenta da Veiga (Comunicações), que também é do PSDB de Minas.Ele disse que apesar do Congresso Nacional ter votado à favor da lei deprivatizações, a Câmara dos Deputados fará um debate amplo sobre o tema. Aécioacredita que o governo não fará nada ?que não seja com a aprovação da população.? Opresidente da Câmara foi além, e disse que não vai permitir que essa decisão sejatomada exclusivamente dentro dos gabinetes do BNDES. Ele informou que ainda nãodiscutiu o assunto com o governador mineiro Itamar Franco (PMDB), que também é contraa privatização. No Planalto, a aliança de Aécio e Itamar em torno do tema não foi bemrecebida.

Agencia Estado,

12 de março de 2001 | 20h16

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