PFL quer antecipar debate sobre chapa para 2002

Eufórico com o resultado da pesquisa da CNT/Sensus, que mostra a governadora Roseana Sarney em segundo lugar na preferência dos eleitores para a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen (SC), decidiu antecipar a data-limite para que os partidos aliados - à exceção do PMDB - comecem a definir os critérios para a escolha do cabeça de chapa. Ele acha que as conversações têm de começar até no máximo o dia 15 de dezembro, último dia de trabalho parlamentar. Ele afirmou que confia na possibilidade de os partidos da aliança que sustenta o presidente Fernando Henrique manterem a coligação. "Nós propomos a realização de primárias, mas aceitamos as prévias sugeridas pelo PPB", disse. Bornhausen acredita que os outros partidos da aliança, especialmente o PSDB, devem sugerir também formas para se escolher a chapa. Bornhausen disse que hoje só o PMDB está amarrado e não pode tomar uma decisão. A convenção nacional decidiu que o partido terá candidato próprio à sucessão de Fernando Henrique e que as prévias serão no dia 20 de janeiro. Por enquanto, são pré-candidatos o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, e o senador Pedro Simon (RS). A ala governista do PMDB quer fazer do presidente nacional do partido, Michel Temer (SP), o candidato que disputaria com os dois oposicionistas. Como o PMDB decidiu ter candidato próprio, somente uma outra convenção nacional poderia alterar a proposta. Se nas prévias vencer ou Itamar ou Simon, não haveria esperanças de manter o partido na aliança. Se der Temer, ele poderá compor uma chapa com os outros partidos. Nesse caso, o PMDB racharia, porque Itamar poderia apoiar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.O crescimento da preferência por Roseana levou a cúpula do PFL a fazer uma reavaliação da sua realidade partidária. Apesar de toda ela defender a aliança governista, seus integrantes começam a acreditar que podem perder o controle da situação. Levando-se em conta que Roseana tem a preferência de 16,3% no Sudeste, de 17,6% no Sul, de 18,8% no Nordeste, de 20,4% no Centro-Oeste e de 37,5% no Norte, haverá um momento em que ninguém, nem mesmo a governadora, terá como explicar uma negociação que a ponha na condição de vice de algum candidato que apareça muito abaixo nas pesquisas. Na opinião de dirigentes do PFL, os outros partidos terão de correr contra o tempo.

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