PFL pode pedir adiamento de eleições

A revelação de conversas entre políticos baianos, com insinuações de que a transferência de deputados do PFL para o PMDB teria sido comprada, deu um novo contorno à disputa pelo comando do Congresso. Hoje, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), deve pedir o adiamento das eleições marcadas para quarta-feira até que a história publicada na revista Veja desta semana seja esclarecida. A oposição fala em CPI. O PFL, em revisão do critério que definiu o PSDB como a maior bancada da Câmara. Os pefelistas consideram que o aliciamento de seus deputados no final do ano passado foi decisivo para que o partido perdesse a condição de maior bancada e entrasse na disputa inferiorizado. Seus dirigentes falam em buscar reparação da Justiça e podem decidir conturbar a eleição caso o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), não concorde com o adiamento. O PMDB também fala em buscar amparo na Justiça para impedir que o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), dê as cartas na eleição de seu sucessor. Como o Poder Judiciário não costuma se meter em confusões do Legislativo, acredita-se que o PFL queira um acordo político que livre o partido de uma derrota incisiva. Entre tucanos e peemedebistas, a reação do PFL foi encarada como desespero diante da derrota eminente, sinalizada pela pesquisa DataFolha divulgada ontem, que aponta vitórias prováveis de Jader Barbalho (PMDB-PA) no Senado e Aécio Neves (PSDB-MG) na Câmara. Tucanos e peemedebistas contabilizam a vitória - 38% das preferências para Jader e 48%, para Aécio. Mas, o imponderável de uma eleição secreta, com colégio eleitoral qualificado 513 deputados e 81 senadores ainda está presente. Tanto na Câmara como no Senado, as bancadas dos partidos deverão ter reuniões decisivas amanhã, para definir, entre outras coisas, os candidatos a outros cargos das Mesas indicados pelos respectivos líderes. Hoje, o candidato tucano à Presidência da Câmara, Aécio Neves, se encontra com o governador Mário Covas, às 10 horas no Palácio dos Bandeirantes. Como último ato político de sua campanha, ele vai agradecer o apoio do governador, que foi fundamental para que ele chegasse à reta final como favorito.

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