PFL perde esperança de "saída negociada"

A cúpula do PFL, ligada ao vice-presidente Marco Maciel, está perdendo as esperanças de uma "saída negociada" com o Palácio do Planalto para acomodar o partido na base do governo, sinalizando interesse em compor para a sucessão presidencial de 2002.Os dirigentes pefelistas avaliam que estão sendo tratados "com desdém" e suspeitam de que o Planalto esteja empurrando a legenda para fora do governo.Adiantam, porém, que não farão oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso, até porque ele executa teses pefelistas no governo.Foi nesse clima de desânimo que Fernando Henrique recebeu o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), para uma conversa no início da noite desta segunda-feira, às vésperas de mais um discurso do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Até então, Fernando Henrique havia tido uma primeira reunião com Bornhausen, mas não dera sinal algum de que pretendia fazer uma só mudança administrativa para recompor a base aliada. Ao contrário, interlocutores presidenciais trataram de reforçar o recado de que não está na cabeça do presidente, hoje, "tirar gente do ACM" do governo porque ele, Fernando Henrique, não será movido pela retaliação. Refere-se o interlocutor aos ministros de Minas e Energia, Rodolfo Tourinho, e da Previdência Social, Waldeck Ornélas, dois baianos da cota de ACM na Esplanada dos Ministérios.Segundo um ministro político que acompanha atento os movimentos da base governista, a reforma ministerial prevista para março não será feita para responder às exigências estritas da conjuntura política atual, até porque não foi o Planalto quem derrotou o PFL na sucessão do Congresso. "Será algo mais elaborado", completa outro colaborador presidencial, ao constatar que o ministério precisa ser "reequipado" em função das necessidades do momento, até mesmo as internacionais. Mais do que uma insatisfação com o comando pefelista do setor elétrico, hoje nas mãos de ACM, pesa também a avaliação de que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e a Secretaria de Desenvolvimento Regional estão tendo uma atuação "muito apagada" no governo. Diante do quadro político, nenhum cardeal da cúpula pefelista está disposto a se lançar na defesa de Fernando Henrique no caso de um novo ataque de ACM.

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