PFL pediu verba para votar MP do setor elétrico

O PFL saiu da obstrução na Câmara e o governo conseguiu aprovar a medida provisória (MP) que transfere para os consumidores os prejuízos das concessionárias de energia elétrica com o racionamento. A MP, aprovada nesta quarta-feira à noite por 275 votos a favor, 144 contra e oito abstenções, aumenta em 2,9% as tarifas de energia elétrica dos consumidores residenciais. Este reajuste irá vigorar, em média, por seis anos. Para ganhar o apoio maciço do PFL, inclusive dos pefelistas da Bahia que ameaçam votar contra a proposta, os líderes dos partidos aliados ao Palácio do Planalto comprometeram-se a atender algumas reivindicações, como a liberação de mais verbas para os oito estados governados pelo partido. Também a pedido do PFL, o governo estuda a possibilidade do presidente Fernando Henrique Cardoso não vetar a parte da medida provisória que aumentou em quase R$ 1 bilhão a renegociação das dívidas dos agricultores. Esta MP foi aprovada na semana passada pela Câmara e, inicialmente, estabelecia um alongamento das dívidas de cerca de R$ 3 bilhões. Mas, na versão aprovada, essa renegociação passou para quase R$ 4 bilhões. O estudo para não vetar a MP está sendo feito pelo ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente.O PFL decidiu apoiar o governo por uma questão de sobrevivência. Rachado internamente, o partido precisava dar uma demonstração de força e união. E foi com esses argumentos que a cúpula do partido fez uma longa negociação com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães, que ameaçava pôr toda a bancada pefelista baiana para votar contra a proposta. ?O governo federal está nos tratando muito mal e queremos ter um tratamento igualitário?, alegou o deputado Paulo Magalhães (PFL-BA), sobrinho de ACM. Ele deixou claro que o PFL da Bahia votaria a favor da MP, desde que o governo desse um sinal claro de boa vontade com ACM. Rapidamente o secretário-geral da Presidência da República, ministro Euclides Scalco, entrou em campo e deu a sinalização tão esperada. A pedido do presidente do PFL, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC), Scalco telefonou para ACM e, segundo interlocutores do PFL, prometeuanalisar o repasse de recursos do Executivo para os estados governados pelo partido. O empenho de Bornhausen no episódio tinha um motivo: a posição do ex-senador contra a MP batia frontalmente com a decisão da reunião da executiva nacional do partido que recomendou o voto favorável à proposta. E para a cúpula do PFL era essencial ter o mínimo possível de dissidências na votação para mostrar ao governo que o partido está unido. ?A unidade do partido vai mostrar que quem garante a estabilidade econômica ao País é o PFL?, disse o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), filho do prefeito do Rio Cesar Maia, que participou intensamente paragarantir o apoio do PFL ao governo. O vice-líder do PFL, deputado Pauderney Avelino (AM), ficouencarregado de fazer um levantamento no Sistema Integrado deAcompanhamento Financeiro (Siafi) comparando a liberação das verbas para os estados pefelistas com os outros estados. ?Nesse levantamento ficará clara a discrepância que há na liberação de verbas do Executivo para os estados governados pelo PFL?, disse Pauderney. Os partidos de oposição votaram contra a MP. ?Fizeram um acordo para aprovar a medida e quem vai pagar é o povo com o aumento da conta de luz?, observou o líder do PT, deputado João Paulo Cunha (SP).

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