PFL não vai abandonar ACM, mas está pessimista

O PFL está pessimista quanto ao futuro do senador Antonio Carlos Magalhães(PFL-BA), que depõe nesta quinta-feira no Conselho de Ética do Senado, mas não vai abandonar seu líder.Um dirigente nacional pefelistaadianta nos bastidores que o partido está disposto a manter solidariedade, ?até como contraponto à inexperiência política doPSDB?.Segundo este político, o PFL não pretende encobrir ou negar o erro de ACM, por ter recebido a lista com o resultado de umasessão secreta de votação, mas também não fará como os tucanos que, na avaliação dos pefelistas, jogaram o cristão(senador José Roberto Arruda) aos leões.?O partido não vai negar a importância do ato cometido por ACM, mas dirá que é pouco para cassar-lhe o mandato e anularuma carreira política repleta de realizações?, afirma o dirigente pefelista.Mas a solidariedade partidária tem razões que vão muitoalém da generosidade de seus dirigentes. Prova disso é o programa do PFL que irá ao ar em horário nobre na noite desta quinta-feira, emcadeia nacional de rádio e televisão.A fala de ACM ocupa menos de 60 segundos dos 20 minutos do programa, mas o senadorbaiano está presente o tempo todo porque é dele a autoria da maior parte das bandeiras que a legenda assume como suas paracomprovar o lema de que o ?PFL é o partido do cidadão?.No programa, ACM aparece lembrando sua luta por um salário-mínimo ?mais decente? e a criação do Fundo de Erradicação da Pobreza, quegarantiu R$ 4 bilhões no Orçamento para financiar a bolsa-escola, hoje o maior programa social brasileiro.?O PFL luta para darao povo brasileiro uma situação de menos desigualdade?, dirá ACM, completando em seguida: ?Assim como fizemos a CPI doJudiciário para acabar com a impunidade, queremos que o povo brasileiro tenha uma vida melhor, e esta vida melhor, podemacreditar, o PFL vai lhes dar?.À fala curta do senador se seguirá um carimbo que toma toda a imagem da tela da televisão, com um dos novos slogans dopartido. ?Combate da impunidade: esta bandeira é do PFL?. E não é a única. ?O PFL está fazendo o resgate e a fixação de suasbandeiras de atuação política?, resume o publicitário Hiran Pessoa Melo, responsável pelo marketing do partido.O PFL tambémdeclarou suas outras lutas empunhadas por ACM, como o fundo da pobreza e o salário mínimo de R$ 180. A questão salarial étema de uma cena de um debate em família em que a adolescente de classe média, informada de que ?foi graças ao PFL que osalário mínimo aumentou de R$ 151 para R$ 180?, sai com esta: ?É mesmo?... E eu que pensei que fosse o PT?.Dirigentes pefelistas destacam que além das bandeiras de ACM há outras igualmente importantes, como o código de defesado cidadão contribuinte, proposto pelo presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), a segurança e ocombate ao narcotráfico.E além de se apropriar de todas as bandeiras que envolvem realizações do governo federal que opresidente Fernando Henrique Cardoso e seu PSDB poderiam usar na campanha eleitoral de 2002, o PFL mantém um tomcrítico ao governo central.Isto fica claro no depoimento do governador do Paraná, Jaime Lerner, ao defender a tese de que ?nosso País deve ser umacoisa compartilhada e, para isto, tem que ser bom não apenas para a economia, mas para as pessoas?.A posição oficial da direção nacional do PFL é a de recusar pré-julgamento e aguardar o depoimento de ACM nesta quinta-feira.Mesmopreocupado e avaliando que o cenário é favorável à cassação de Arruda e do senador baiano, a direção nacional não dá o braçoa torcer e lembra sempre as denúncias envolvendo o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA).?O partido avalia que, embora grave, o episódio envolvendo ACM é insignificante diante das denúncias que ele próprio levantoue está convencido de que há uma articulação para aniquilar o acusador?, insiste o dirigente pefelista.

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