PFL monopoliza agenda de Alckmin na Bahia

O PFL monopolizou a agenda e a atenção do pré-candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, em sua primeira visita a Salvador, nesta sexta-feira. Na queda de braços travada com o líder tucano na Câmara, o baiano Jutahy Júnior, os pefelistas liderados pelo senador Antonio Carlos Magalhães e pelo governador Paulo Souto (BA) cederam ao PSDB apenas uma brecha na programação de Alckmin, para uma visita de pouco mais de uma hora à sede estadual de seu partido.A concessão foi acertada depois de uma difícil negociação com o PFL em que, por exigência de ACM, o encontro com os tucanos que lhe fazem oposição mudou três vezes de endereço. Em uma demonstração de força política, ACM e o governador não só isolaram o grupo de Jutahy, como cooptaram setores do PSDB para o palanque pefelista e mais: ainda trouxeram o presidente nacional do partido, senador Tasso Jereissati (CE), e o coordenador da campanha, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), a Salvador, para prestigiar o almoço de Alckmin com a cúpula pefelista no restaurante do Sesc do Pelourinho."O PFL tinha mesmo que acabar tomando conta do nosso candidato na Bahia", resignou-se Tasso Jereissati em conversa reservada com um correligionário nesta tarde. O desabafo foi feito depois que o tucano lembrou-lhe que, dos 417 municípios baianos, o PSDB tem apenas 18 prefeitos e, destes, nada menos que 16 já declararam voto a Paulo Souto.Adversários de ACM, como o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), insistem na tese de que o carlismo é uma força política em declínio e tem, hoje, apenas um terço dos votos do Estado. Mas o raciocínio não se aplica ao governador. Tanto, que a contabilidade de Paulo Souto é outra. Segundo ele, os partidos de oposição ao carlismo conquistaram 76 prefeituras, mas vários destes prefeitos já aderiram ao governo estadual. "Minha base de apoio tem entre 380 e 390 prefeitos", afirma Souto sem hesitar.A despeito da tensão da véspera, agravada pelo atraso do pré-candidato que só chegou a Salvador no início da madrugada, Alckmin transitou com desenvoltura entre políticos, baianas vestidas à caráter e populares, mostrando-se à vontade com as tradições da terra. Depois de visitar as obras sociais de Irmã Dulce, ele rezou na Igreja do Bonfim e na saída, sorridente, amarrou a tradicional fitinha de Nosso Senhor no pulso direito. Em seguida, declarou que tem a alma um pouco baiana, porque foi pela Bahia que seus avós imigraram no Brasil, quando deixaram Portugal e Espanha.Na entrada do restaurante do Sesc, em uma das ladeiras do Pelourinho, ele não hesitou em curvar o corpo e elevar os braços para saudar o grupo Afoxé Filhos de Ghandi, que o recepcionou com uma batucada e um colar trabalhado em minúsculas contas azuis e brancas.TangenteNo início da noite, na sede do PSDB, Alckmin participou de uma reunião política com o objetivo duplo de saudar sua candidatura e tentar arrancar apoio dele e da direção nacional tucana em favor da candidatura ao Senado do ex-prefeito Antonio Imbassahy. Depois de trocar o PFL pelo PSDB, Imbassay tornou-se o pivô da crise na aliança entre tucanos e pefelistas na Bahia, uma vez que o candidato do PFL ao Senado é Rodolfo Tourinho.Na negociação arrastada com ACM, ficou acordado que a fotografia de Alckmin ao lado de Imbassahy seria inevitável, mas sua declaração de apoio ao candidato ao Senado não seria admitida. Alckmin saiu pela tangente: falou de seus projetos para o Brasil, e deixou de lado a briga pela vaga de senador.Nos discursos e na série de entrevistas concedidas ao longo do dia, o presidenciável tucano acatou a sugestão de ACM, de que precisava ser mais duro nas críticas e cobranças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Disse que o governo Lula "é frouxo" na condução da crise decorrente da nacionalização do gás boliviano, e criticou o "esquecimento" alegado pelo ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira. "É tudo mentira, isso é amnésia petista", acusou o tucano, ao cobrar do presidente Lula que assuma a responsabilidade pelos atos de corrupção praticados em seu governo.O candidato pediu o voto dos baianos com o compromisso de concluir obras importantes como o metrô de Salvador. "O Lula não gosta da Bahia. Não tem obra nenhuma no Nordeste e os investimentos federais no Estado ao longo do governo Lula foram de apenas R$ 4 per capta". Mas confidenciou a um correligionário que não mudará seu estilo para "bater forte em Lula", como gostariam pefelistas e tucanos que sugerem maior "agressividade" ao candidato. "Vou continuar do meu jeito, batendo na tecla de que Lula já teve sua oportunidade de governar e nada fez pela Bahia nem pelo Nordeste", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.