PFL insiste em votação de relatório sobre Jader

O senador Romeu Tuma (PFL-SP) já iniciou a leitura do relatório da comissão que pede a abertura de processo contra o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), por quebra de decoro parlamentar. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, tentou antecipar a eleição do novo presidente do Conselho de Ética e destituir Geraldo Althoff (PFL-SC). No entanto, fundamentando-se no próprio regimento, Althoff convocou a eleição, provocada pela renúncia do titular, senador Gilberto Mestrinho, para sexta-feira, às 10 horas.Calheiros ainda insistiu para que a eleição fosse amanhã, para adiar a decisão sobre o caso Barbalho e fazer com que o PMDB reassumisse o controle do colegiado. Essa questão, que está aflorando as divergências entre o PFL e o PMDB voltará a ser discutida no final da reunião de hoje, segundo Althoff. Em sua justificativa, Renan Calheiros questionou a condução dos trabalhos pelo senador pefelista, ressaltando, por exemplo, que Althoff desarquivou o pedido de reabertura da violação do painel eletrônico para investigar o suposto envolvimento do senador petista José Eduardo Dutra. Calheiros lembrou que esse caso havia sido arquivado por decisão de Gilberto Mestrinho. Em discurso inflamado, Dutra fez um apelo ao Conselho de Ética para que delibere definitivamente sobre esse assunto ainda hoje. "Eu não vou agüentar que meu nome seja utilizado como moeda de barganha", afirmou Dutra, referindo-se às especulações de que o PT estaria trabalhando junto com o PMDB para destituir Althoff da presidência, uma vez que partiu de Althoff o pedido para investigar o suposto envolvimento de Dutra na fraude do painel eletrônico, que resultou na renúncia dos senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda.Em defesa de JaderNo voto em separado que apresentará ao Conselho de Ética sobre o caso de Jader Barbalho, o senador João Alberto (PMDB-MA) pede que a decisão sobre o suposto envolvimento do senador paraense em corrupção seja adiada até o resultado das apurações no âmbito do Supremo Tribunal Federal e da Justiça do Pará. "O bom senso recomenda que, estando o assunto sob apreciação do Supremo Tribunal Federal, ainda na fase de diligências, isto é, sequer existem denúncias, e ao mesmo tempo sob apuração na Justiça do Estado do Pará, em processo de produção de prova, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal aguarde tais manifestações, sob pena de cometer injustiça por ausência de provas e exorbitar de sua competência", defende o senador. Ele afirma também que, diante de documentos, o senador Jader Barbalho "sentiu-se seguro para afirmar negativamente que jamais teria sido beneficiado com recursos oriundos de cheques administrativos do Banpará". Na opinião de João Alberto, fica claro que Barbalho não mentiu ao afirmar que o Banco Central o excluiu em parecer formal, final e conclusivo. Para ele, é um absurdo considerar que a negativa de Barbalho represente falta de decoro parlamentar. O voto do senador será apresentado ao Conselho de Ética, depois da leitura do relatório que ele, como membro da comissão de investigação, se recusou a assinar.

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