PFL fará primárias pensando em 2002

O PFL saiu na frente na tentativa de organizar o processo eleitoral de 2002, antecipado pelas brigas na base aliada e pela sucessão de crises que desgasta o governo Fernando Henrique Cardoso. A Executiva Nacional pefelista aprovou nesta quarta-feira a realização de eleições primárias abertas em março do ano que vem e autorizou o presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), a negociar a participação de todos os partidos governistas.A idéia é que a base de sustentação política do Palácio do Planalto tenha um candidato único à Presidência da República, escolhido pelos próprios eleitores que irão às urnas em outubro de 2002.Este candidato, que só deverá ser apontado no ano que vem, terá o compromisso de cumprir o programa de governo da aliança.Bornhausen começa a contatar os partidos na próxima semana e espera contar com PSDB, PMDB, PPB e até o PTB, que já anunciou seu apoio à candidatura de Ciro Gomes (PPS) na corrida presidencial.Os interessados deverão realizar convenção nacional em novembro, para aprovar o programa comum.Ninguém sabe se a proposta terá conseqüências concretas no processo eleitoral, mas a idéia agitou pefelistas, peemedebistas e tucanos, e agradou ao Palácio do Planalto e ao presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA).Segundo um colaborador presidencial, o lançamento das primárias é bem-vindo do ponto de vista do Planalto porque abre uma polêmica que pode ocupar lugar de destaque na agenda do Congresso e dar um pouco de sossego ao governo, deixando a CPI da Corrupção em segundo plano."Isto é bom porque politiza o processo e dá uma virada neste clima de denuncismo, deixando as investigações a cargo da Polícia Federal e do Ministério Público", avaliou o secretário-geral do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA).O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), declarou de pronto o seu apoio à idéia de Bornhausen. "O candidato tem de ser o melhor, e não necessariamente um tucano", sustentou o líder.Mas o que vale para o governo também tem serventia para o presidente do Senado. "Não era esta a nossa intenção, mas o Jader é beneficiado por tabela", confirma um cardeal pefelista. "Tudo bem que a eleição dele foi um erro, mas o Congresso não pode ficar parado olhando o Jader", completa o cardeal.Na avaliação do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), o grande mérito da proposta das primárias é "não fulanizar" o debate eleitoral, priorizando a discussão do programa sobre os candidatos."Eu proponho que entremos em uma democracia avançada, na qual os eleitores votarão no programa, e não em nomes", explicou Bornhausen.Na defesa das primárias, ele insistiu em que o processo é aberto a qualquer candidato dos partidos aliados, inclusive o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB)."Não veto ninguém", sentenciou. Mas na conversa com os dirigentes pefelistas ele fez questão de salientar que não aceita "prato feito", numa referência velada às articulações em favor da candidatura tucana do ministro da Saúde, José Serra, com apoio de setores do Planalto.Um dos dirigentes pefelistas presentes à reunião avalia que a idéia de prévias é um golpe na candidatura Serra, que muitos tucanos julgavam já estar consolidada.Mas o ministro Serra telefonou nesta quarta-feira para vários partidários de sua candidatura, dentro do Congresso e do governo, satisfeito com a proposta."Isto tira o Serra da berlinda no momento em que muitos queriam forçá-lo a antecipar sua candidatura como o nome oficial do Planalto, para facilitar a vida da ala do PMDB que quer compor com o PSDB em 2002", explicou um desses interlocutores do ministro."Uma aliança do PSDB com o PMDB está morta e sepultada porque o PMDB vai aprovar a candidatura própria na convenção de setembro e nós não temos condições de discutir linhas programáticas de governo com forças reacionárias que participam deste governo que não fez avanço nenhum", disse o candidato à presidência do PMDB a partir de setembro, Paes de Andrade, partidário da candidatura Itamar Franco.O secretário-executivo do PFL, Saulo Queiroz, adverte, porém, que o grande mérito das primárias é organizar a base.E a expectativa é que o mesmo ocorra no campo adversário. Por este raciocínio, os presidenciáveis do PPS e do PT também poderiam evoluir para a idéia das primárias, em que o melhor encabeçaria a chapa, deixando o posto de vice para o segundo colocado.Um cenário excelente para as forças governistas que temem não chegar ao segundo turno da disputa presidencial.

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