PFL exige que Serra se submeta a prévias

O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), levou ao presidente Fernando Henrique Cardoso o resultado da primeira semana de articulação em favor das eleições primárias entre os candidatos da base aliada para a corrida presidencial de 2002. Na conversa, da qual participou também o vice-presidente Marco Maciel, Borhausen deixou claro que o PFL não aceita "prato feito", e que só existe uma forma de o partido acatar, unido, a eventual candidatura do ministro tucano da Saúde, José Serra: caso o ministro vença as primárias no ano que vem.Segundo um cardeal pefelista que ouviu de Bornhausen o relato do encontro, o presidente não só recebeu bem a idéia, como aprovou a articulação. "O Marco já me explicou sua proposta e eu acho que você está tocando certo", disse o presidente. Referiu-se, inclusive, ao almoço de Bornhausen com Serra, na terça-feira. "Existem muitas resistências ao Serra dentro do PFL", comentou Bornhausen, ao avaliar que o ministro terá condições de levar "o partido inteiro" consigo apenas na hipótese de vencer as primárias. "Neste caso, o PFL vai com Serra, porque compromisso assumido será compromisso cumprido", sentenciou. O episódio ilustra o porque da insistência do senador na pregação das primárias. Mais do que emplacar a inovação e democratizar a disputa, o que Bornhausen quer, com o instrumento das eleições prévias entre os governistas, é empurrar a definição da candidatura da base para 2002, já que não há um candidato natural. Com isto, ele não só evita um racha interno, como ganha tempo para reorganizar a legenda que perdeu de forma traumática - por renúncia - seu maior líder, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA).

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