PFL e PSDB ensaiam aliança para 2002

O PFL e o PSDB já começaram a acertar a reedição da aliança na corrida presidencial de 2002. O primeiro passo para retomar o diálogo abalado pela briga em torno da sucessão do Congresso foi dado em jantar que reuniu as principais lideranças dos dois partidos na noite desta quarta-feira.Os presidnetes nacionais do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PSDB, deputado José Aníbal (SP), reafirmaram a disposição de manter a parceria e de montar uma agenda semanal de conversas para discutir não só o programa do futuro governo como o quadro de alianças nos Estados."Houve um distanciamento evidente (entre os dois partidos) por causa das eleições na Câmara e Senado, mas agora retornamos ao diálogo franco e aberto", contou Bornhausen, satisfeito.Também presente ao jantar, o ministro da Previdência Social, Roberto Brant, pefelista, confirmou a iniciativa e a agenda de conversas para "um exame mais objetivo" do quadro político nos Estados, onde os dois partidos terão que montar palanques para o futuro candidato presidencial da aliança."A boa vontade é o ponto de partido para qualquer parceria, e ela existe", resumiu o ministro, que participou da conversa ao lado do colega das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), e do anfitrião, deputado Heráclito Fortes (PFL-PI). A despeito da disposição favável dos cardeais dos dois partidos, o ambiente da reunião da Executiva Nacional do PFL, nesta quinta-feira, foi o avesso do clima político registrado no jantar.A insatisfação dos pefelistas com o Palácio do Planalto é tamanha que o encontro semanal dos dirigentes partidários converteu-se em sessão de queixas contra o governo, que, além de impopular, trata mal o partido e, pior, não tem um nome viável para representar a aliança na corrida presidencial."Está muito difícil conviver com acusações de corrupção que estão na parte do governo que não é nossa", reclamou o deputado Affonso Carmargo (PFL-PR)."Não podemos ser tratados como oposição", protestou o secretário-geral do partido, deputado José Carlos Aleluia (BA), diante de um quadro, mostrando que o governo não liberou um só centavo para atender às emendas das bancadas mais fortes do partido ao Orçamento de 2001.O quadro que Aleluia pôs nas mãos de cada um dos dirigentes nacionais do PFL foi o mesmo usado pelo deputado Mussa Demes (PFL-PI) para constranger o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, na terça-feira, quando o governo pediu os votos do partido para aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).Os dados mostram que nos seis Estados em que o PFL é governo, as liberações praticamente inexistem. Nada foi liberado para a Bahia do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, para Rondônia, Tocantins, Amazonas e Maranhão.A exceção fica na conta do Paraná do governador Jaime Lerner (PFL), mas os recursos liberados - "míseros" R$ 2,9 milhões - não suscitam comemorações porque representam apenas 1,58% do total solicitado para o Estado por meio das emendas parlamentares.Diante disso, Bornhausen acabou sendo questionado sobre a conveniência da aliança. "O clima está muito ruim, porque o sentimento geral é de descaso em relação ao partido, o que não se justifica vindo da parte de um governo que não tem um candidato leve para a gente carregar nem perspectivas futuras", resumiu um importante cardeal pefelista presente à reunião.A defesa ficou por conta do ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, que ponderou aos presentes que a questão das emendas não pode ser tratada de maneira meramente partidária.No entender do ministro, o que deve ser salientado nesta luta são as obras e serviços que estão fazendo falta para os municípios não aquinhoados com verbas federais."O que faz a diferença, neste caso, são os bons projetos", insistiu, para concluir: "Só assim os ministros terão um bom discurso para ajudar a bancada, cobrando as liberações".

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