PFL deve "fazer as pazes" com Tebet

O PFL desgastou-se em sua operação para derrubar a candidatura do ex-ministro da Integração Nacional Ramez Tebet (PMDB-MS) à presidência do Senado e cometeu a deselegância de retirar-se em peso do plenário no discurso de posse do colega, mas não vai liderar nenhum protesto ou boicote ao novo presidente do Congresso. Tebet foi eleito sem os votos pefelistas, mas seu primeiro-vice na Mesa Diretora do Senado, Edison Lobão (PFL-MA), não tem dúvidas: "O PFL vai absorvê-lo". "Não há razão objetiva alguma para manter a briga depois do fato consumado", pondera o secretário-executivo do PFL nacional, Saulo Queiroz, ao salientar que quem briga "por brigar" é o PT. "O PFL é profissional", insiste Saulo. Embora irritados com a cúpula do PMDB e o Palácio do Planalto, os cardeais do partido reconhecem que, bem ou mal, o ex-ministro foi eleito presidente com a maioria absoluta dos votos do Senado. Um dirigente do PFL salienta que o esvaziamento do plenário deve ser interpretado muito mais como um desagravo ao senador José Sarney (PMDB-AP) do que como uma simples falta de cortesia. "Tivemos o juízo de marcar posição porque fomos longe demais com a candidatura Sarney", lembra o parlamentar, ao ressaltar a mágoa confessa do ex-presidente da República com a cúpula do próprio partido, que preferira Tebet a ele. "O PFL, assim como Sarney, saiu desta eleição com a sensação de que levou bola nas costas do Planalto, e levou mesmo", diz o dirigente do partido. Virada a página da sucessão no Congresso, do candidato contestado deve sobrar apenas o presidente respeitado por todos e o futuro aliado nas eleições gerais de 2002. No Mato Grosso do Sul, o PMDB de Tebet já acertou uma parceria com o PFL de Saulo Queiroz. Brigas nacionais à parte, os matogrossenses já definiram que a aliança estadual para 2002 vai incluir também o PTB e o PPB. Nesta coligação, Tebet será novamente candidato a senador. E à frente da presidência do Senado, calculam os pefelistas, ele será facilmente eleito. É diante desta constatação que dirigentes do PFL apostam no "bom comportamento" do novo presidente no que se refere à administração do caso das denúncias de corrupção contra o senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Eles acreditam que o presidente do Senado não fará nenhuma manobra favorável a Jader que possa por em risco sua reeleição. "A tendência, a partir de agora, é amainar tudo, até porque temos um problema monumental que é a guerra, em decorrência do atentado em Nova York", argumenta Lobão. Até porque a eleição no Senado foi fruto de uma operação política desastrada que, além de não produzir vencedores, gerou desgastes a todos os atores que participaram do processo sucessório. "Todo mundo perdeu", resume o primeiro vice-presidente do Senado, incluindo na lista dos perdedores não só o PFL e o PMDB, mas também o Palácio do Planalto. Na contabilidade geral dos prejuízos políticos da sucessão no Senado, o presidente Fernando Henrique Cardoso também é listado como um dos personagens que acumulou desgastes, ao deixar impressa sua digital na eleição de outro Poder. O governo manteve aberta até as 23h a edição do Diário Oficial da União de quarta-feira, à espera do resultado da reunião dos senadores do PMDB. Só depois de confirmada a escolha de Tebet, o D.O. foi rodado com a demissão do ministro.

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