PFL deve aprovar Agenda em reunião nesta 5ª

A comissão executiva nacional do PFL deverá aprovar na manhã desta quinta-feira, com maioria folgada de votos, o apoio do partido ao plano de ação governamental para o biênio 2001/2002. O presidente Fernando Henrique Cardoso revelou nesta quarta-feira a um assessor palaciano que espera receber entre 16 e 22 votos do colegiado de 24 dirigentes pefelistas. E segundo o assessor, a boa notícia tem origem na contabilidade do vice-presidente Marco Maciel e do presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC).Nem o grupo ligado ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) nem a ala ligada a Maciel e Bornhausen duvidavam nesta quarta da manifestação de apoio ao governo, por meio do plano. A maior preocupação dos dirigentes das duas alas era fazer a pacificação interna, para evitar o confronto pessoal entre Bornhausen e ACM na reunião. Tanto que a primeira providência dos "bombeiros" foi reduzir os focos de atrito, adiando para a semana que vem a briga pela liderança do partido na Câmara e fechando a pauta da executiva no exame do plano de ação do governo, para evitar a discussão de polêmicas internas.Bornhausen avisou logo cedo que as divergências internas são naturais, mas que o respeito mútuo é uma exigência da convivência democrática. "Virei no mesmo tom em que o ACM me tratar", adiantou aos bombeiros "carlistas", entre os quais destacava-se o secretário-geral do partido, José Carlos Aleluia (PF-BA). Do outro lado, a força-tarefa da paz envolveu especialmente os senadores José Jorge (PE) e José Agripino Maia (RN), em linha direta com Maciel, que se dispôs a selar a paz em um jantar com ACM e Bornhausen, no Palácio do Jaburu.O temor de José Jorge e José Agripino, que procuraram ACM no final da manhã desta quarta, era que o senador baiano fosse muito agressivo na carta-resposta ao secretário-geral da Presidência, ministro Aloysio Nunes, que na véspera desqualificara suas denúncias de corrupção no governo. Pior seria se ele teimasse em chegar à reunião desta quinta, cobrando independência do partido em relação ao governo e uma ação de Bornhausen neste sentido.Para alegria dos missionários da paz, ACM não repetiu a ameaça de cobrar de Bornhausen a promessa de deixar o comando partidário ou conduzir o partido à independência do Planalto, caso Fernando Henrique não demitisse os ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles. Ao contrário, o senador baiano apenas queixou-se do pito público de Bornhausen em nota oficial do PFL. "O Jorge não me avisou nada sobre a nota, e isto não se faz", reclamou, ao salientar que a "reprovação" do partido a uma atitude sua é descabida. "Isso é coisa que se faz só com menino, em escola". E numa demonstração de boa vontade, Antonio Carlos ainda aceitou uma ponderação sobre o texto da carta a Aloysio, que já estava pronta sobre sua mesa. Retirou a ameaça de tornar públicas as quatro cartas que escreveu a Fernando Henrique em 1999 e no ano passado, com denúncias de corrupção no governo, deixando a iniciativa inteiramente nas mãos do presidente.O acerto interno passa pela garantia de espaço de poder aos carlistas e de respeito às posições independentes de ACM dentro do partido. "A aprovação do apoio ao governo é fundamental para que nós possamos entrar em campo, negociando a manutenção do espaço de poder dos carlistas, para reduzir a dissidência", pondera um cardeal do PFL.O governo deu sinais de que, vencida a etapa da executiva, a indicação dos novos ministros da Previdência Social e das Minas e Energia será imediata.Feito isto, o grupo de Bornhausen e Maciel promete lutar para manter o quinhão de poder do PFL da Bahia, que o próprio Fernando Henrique já decidiu despejar dos cargos federais. "Os carlistas ficam com ACM em qualquer circunstância, mas vamos batalhar para preservá-los porque eles estão fazendo o jogo da paz", explicou um articulador do grupo de Maciel.A cúpula pefelista evitou ao máximo tratar dos nomes dos novos ministros nesta quarta-feira, mas a certeza da indicação de José Jorge (PE) para a Previdência ou Minas e Energia era tamanha na bancada pefelista, que alguns parlamentares já ameaçavam enviar-lhe uma lista de reivindicações.Apadrinhado por Bornhausen e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, o deputado José Carlos da Fonseca (PFL-ES) ainda foi lembrado para as Minas e Energia, mas sem favoristismo. Surgiu também o nome de José Agripino, numa outra composição em que José Jorge seria deslocado para a liderança do governo no Senado. Tanto o PMDB quanto o PFL reivindicam a partilha das três lideranças governistas no Congresso, todas nas mãos do PSDB.A mudança na pasta das Minas e Energia, que nesta quarta-feira perdeu o comando do processo de privatização do setor elétrico, pegou de surpresa a cúpula do partido. Os pefelistas não se opõem a que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) volte a coordenar as privatizações no setor elétrico. "O ministério continua fortíssimo, e a mudança só trará benefícios", diz Bornhausen para concluir: "Não se trata de perda de poder, e sim de um ganho de eficiência no processo".

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