PFL descarta rompimento com ACM

O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e o ex-presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), irão se enfrentar na reunião da executiva nacional do partido, marcada para o próximo dia 8, mas que ninguém espere daí um rompimento. Nem ACM quer deixar o PFL, nem o PFL, comandado por Bornhausen e o vice-presidente Marco Maciel, pensa em abrir mão de um cacique que comanda um colégio eleitoral de 3,8 milhões de votos. Portanto, não há a menor chance de ele vir a ser expulso do partido. "Nenhum partido, por maior e mais forte que seja, descarta um líder do tamanho de ACM, a menos que seja um partido stalinista e, neste caso, a eliminação é física", resume o chefe do Gabinete Civil do governo do Paraná, Alceni Guerra, que tem representado o governador Jaime Lerner (PR) na executiva pefelista. A expectativa geral é a de que o PFL siga na base aliada, apoiando o governo, ao mesmo tempo em que abriga ACM e seu grupo. "E ACM não vai dar sossego em suas denúncias contra o PMDB alojado no primeiro escalão do Executivo federal", prevê um deputado baiano do grupo carlista. Uma má notícia para o Palácio do Planalto, que sempre paga a conta das denúncias e dos arroubos do senador baiano, em guerra permanente com o PMDB. O senador Antonio Carlos é considerado "fundamental" para o projeto de poder do PFL, seja para mostrar a força do partido na negociação de uma nova aliança ou em um vôo solo em 2002. "Se sairmos com candidato próprio ao Planalto e ACM for o governador, ele traz os votos todos da Bahia, que é o quarto maior colégio eleitoral do País", raciocina o secretário-executivo do PFL, Saulo Queiroz. "Ninguém é louco de jogar um cacife destes fora". Neste episódio do último rompante de ACM, o partido discordou de seu maior líder no conteúdo e na forma, e deixou isto claro em nota oficial. Mas companheiros de Bornhausen no comando do partido insistem que o fato de ele ter ficado ao lado do presidente Fernando Henrique Cardoso, nas rusgas de ACM com o governo, não pode ser interpretado como intenção de rompimento. E mais: "Nem Bornhausen nem Maciel têm qualquer intenção de ficar cutucando uma fera ferida", acrescenta o dirigente do PFL, ao lembrar que ACM e Bornhausen vivem suas desavenças na cúpula pefelista desde o governo José Sarney (PMDB-AP), há 15 anos. Ninguém tem dúvidas de que o PFL jamais será o mesmo depois deste confronto temperado com reprimendas públicas, de parte a parte. "Acabou aquela postura solidária, de fechar a porta da executiva com uma posição única", prevê, pessimista, um dirigente do partido. A seu ver, o PFL pode caminhar para ser o PMDB de ontem, em uma espécie de "efeito orloff" às avessas. Por este raciocínio, o partido continua na base de apoio do Planalto, mas nada de fechar a bancada em favor do governo. A previsão é de crise e dissidências a cada votação polêmica.

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