PFL critica PSDB por recusar relatorias para debater o PAC

A decisão do PSDB de não participar das relatorias das comissões da câmara dos Deputados que vão debater o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deixou os pefelistas, mais uma vez, em dúvida quanto a real disposição dos tucanos de fazerem oposição contra o governo Lula. "Nós não estamos entendendo porque o PSDB, após eleger o deputado petista Arlindo Chinaglia para presidente da Câmara, não quer participar das relatorias do PAC", afirmou o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ). Para o PFL, os tucanos estão se omitindo no momento mais importante do cenário oposicionista. A tese é a de que dentro das comissões técnicas a oposição poderia demonstrar de forma efetiva as lacunas do PAC e ainda reforçar que suas propostas são melhores que as do governo. "Esse é o grande momento da oposição. O PAC é relevante e precisa ser discutido. Na Europa, os partidos de oposição não se negam ao debate, mas no Brasil não conseguimos nos diferenciar e consolidar nossa identidade", reclamou Maia. O deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) acredita que há uma confusão em relação à estratégia adotada pelo partido. Na sua avaliação, o que os tucanos têm feito até aqui é separar questão de Estado das questões de governo. Nos temas relativos ao governo, como a discussão do PAC, por exemplo, ele defende a idéia de que a oposição tem que votar contra, mas não deve participar de relatorias. "Apenas nas questões que dizem respeito ao estado brasileiro, como precatórios, reforma política, acho importante que a oposição apresente relatores. Em assuntos do governo não. Nesses casos, nós acabaríamos derrotados por não termos maioria", argumentou. Mas dentro do próprio partido há quem duvide da eficácia da linha política assumida pelo PSDB. E o motivo é simples: a renúncia da participação nas comissões nos postos de relator também pode ser interpretada como sendo um artifício para mascarar uma trégua nesse primeiro ano de governo. O deputado Paulo Renato (PSDB-SP) disse que a Executiva do partido decidiu não apresentar propostas alternativas ao PAC, mas observou que a bancada na Câmara não chegou a se reunir para deliberar sobre a não participação das relatorias do PAC. No senado, o líder Arthur Virgílio (PSDB-AM) mandou avisar que vai discutir o tema com a bancada e que a tendência é a de que os senadores do partido participem de relatorias do PAC, como faz o PFL nas duas casas do Congresso Nacional. "Nós temos que analisar para ver a questão de forma conseqüente, mas no Senado a tendência é brigar por relatorias", afirmou. Assim, divididos como aconteceu na eleição para presidente da Câmara, os tucanos retornam ao jogo político.

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