PFL apreensivo com eleição de Tebet no Senado

O PFL está apreensivo com a eleição de Ramez Tebet (PMDB-MS) para a presidência do Senado e vai exigir isenção no processo de quebra de decoro contra o ex-presidente da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA), que renunciou ao cargo. Segundo o vice-presidente do partido, senador José Agripino Maia (RN), Tebet é "amigo íntimo" de Jader, o que levará o PFL a uma postura de "fiscalização e observação permanente" daqui para frente.O cenário foi traçado por Maia (PFL-RN), cuja candidatura ao cargo chegou a ser cogitada, logo após a cerimônia de casamento do filho do senador Edison Lobão (PFL-MA), na Igreja da Candelária, no centro do Rio, na noite de ontem.O vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL-PE), foi padrinho de casamento. Maciel não quis comentar a reação do seu partido durante a posse de Tebet, na quinta-feira passada. Na primeira fila da Igreja, estava o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).Na última quinta-feira, a bancada do PFL retirou-se do Senado antes do discurso de posse de Tebet na presidência da Casa, em atitude de protesto. "Não quero comentar o assunto", limitou-se a dizer Marco Maciel após o casamento na Candelária. O partido preferia a eleição de um peemedebista com outro perfil. Agripino Maia reconheceu que eleição deixou o partido "no mínimo apreensivo", mas negou que o PFL tenha pretendido retaliar o eleito quinta-feira passada: "Não houve retaliação, apenas marcamos uma posição", afirmou, reforçando que o partido buscará, agora, isenção e independência nas investigações do caso Jader.No mesmo horário, na capital fluminense, casava-se a filha do senador Hugo Napoleão (PFL-PI), na Igreja Nossa Senhora do Carmo, também no centro. As cerimônias religiosas e as recepções que se seguiram - uma no Forte de Copacabana e a outra no Jockey Club - atraíram para o Rio praticamente toda a cúpula pefelista, além de ministros de Estado e de empresários.A cerimônia de casamento de Márcio Lobão com Marta Fadel, celebrada pelo arcebispo de Brasília, dom José Freire Falcão, com participação da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), foi mais concorrida do que a de Patrícia Napoleão com Frederico Moraes da Rocha.Também compareceram ao casamento do filho de Lobão o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, do meio ambiente, José Sarney Filho, o prefeito Cesar Maia, e empresários como Olavo Monteiro de Carvalho, Arthur Sendas e George Ermakoff, executivo da holding que controla do Grupo Varig, além de líderes do PFL, dentre eles a governadora do Maranhão, Roseana Sarney."O Hugo tem de entender, afinal, o Lobão é do meu Estado", comentou Roseana, que foi primeiro ao casamento do conterrâneo, ainda na fila de cumprimentos, antes de seguir para a recepção do outro casamento. Os políticos pefelistas adotaram estratégias práticas para conseguir prestigiar as duas cerimônias de correligionários: dividiram-se entre os dois eventos. Marco Maciel, por exemplo, deixou a Candelária em direção à recepção oferecida por Hugo Napoleão para depois voltar à festa da família Lobão.

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