PF vigia fronteiras para evitar fugas da Operação Sanguessuga

A Polícia Federal vai vigiar a partir de sábado, 6, as fronteiras e os aeroportos, na tentativa de impedir a fuga para o exterior das sete pessoas que ainda não foram detidas e que estão com a prisão provisória decretada por envolvimento com a fraude milionária na compra de ambulâncias e equipamentos hospitalares com dinheiro do Orçamento da União. Já foram presas 47."Espero que elas se entreguem porque a partir de amanhã (sábado) serão consideradas foragidas e pediremos a prisão preventiva, o que é bem mais complicado para o envolvido", disse o delegado Tardelli Boaventura, da Polícia Federal de Cuiabá, que preside os 140 inquéritos abertos na Operação Sanguessuga.O delegado informou que todos os presos serão levados para Cuiabá. E novas prisões poderão ser pedidas porque as pessoas detidas estão revelando detalhes novos nos depoimentos. Além disso, a PF está oferecendo o benefício da delação premiada, o que atenua a pena. "Quem quiser pode passar para o programa de proteção de testemunha", afirmou Boaventura.Na tarde desta sexta-feira, entregou-se à PF de Brasília Suelene Almeida Bezerra, assessora do deputado Reginaldo Germano (PP-BA), especializada em orçamento.O delegado Boaventura disse que há uma semana recebeu determinação do juiz Jefferson Schneider, da 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, para que separasse todo o material das investigações onde fossem citados parlamentares. "Eu usei a palavra-chave deputado e então fiz a separação. Tudo o que havia lá foi retirado para ser enviado às Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República". Ao todo, os diálogos que se referem a algum parlamentar foram resumidos em 200 páginas.Por causa da suspeita que pesa sobre os parlamentares, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, terá de decidir em breve se pede ou não a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o suposto envolvimento de congressistas em fraudes para compra de ambulâncias e material médico hospitalar. Há também a suspeita de que a quadrilha estava agora negociando equipamentos para o programa de Inclusão Digital do Ministério da Ciência e Tecnologia.GravaçõesNas gravações de conversas realizadas durante as investigações feitas pela PF, foram citados os nomes de cerca de 80 parlamentares. No entanto, o fato de terem sido citados não significa que eles participaram do esquema. Caberá ao procurador-geral pedir ao STF que determine a realização de diligências para aprofundar as apurações em relação aos congressistas.As apurações feitas até agora indicam que havia um superfaturamento de cerca de 110%. Só com a compra de ambulâncias podem ter sido desviados de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões. Só em Mato Grosso foram aprovadas cerca de 70 emendas parlamentares que chegavam até R$ 3 milhões. Normalmente, as licitações eram fracionadas em duas de R$ 80 mil, que equivale ao valor de cada ambulância. Com o superfaturamento, elas saíam por R$ 110 mil, em média.Nas investigações, foram quebrados sigilos bancários e fiscais de mais 50 pessoas físicas e jurídicas. Foram identificados pagamentos de empresas para contas de assessores de congressistas. Também foi realizada uma comparação entre as declarações fiscais e o recolhimento da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

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