PF vê novo elo de Paulinho com esquema no BNDES

Deputado, que nega irregularidades, teria recebido comissão de R$ 82 mil quando banco estatal liberou parcela de um empréstimo às Lojas Marisa

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

24 de maio de 2008 | 00h00

Paulinho da Força (PDT-SP) foi contemplado com R$ 82.162,93 desviados de empréstimo do BNDES às Lojas Marisa, acusa formalmente a Polícia Federal no Relatório de Inteligência Policial 11 - peça com 124 páginas de análise de documentos recolhidos pela Operação Santa Tereza, missão de combate a suposto esquema de fraudes no banco. É a primeira vez que a PF impõe ao deputado acusação tão terminante, ligando-o diretamente ao financiamento à empresa. O mesmo relatório também liga Paulinho ao desvio de verbas liberadas pelo BNDES à Prefeitura de Praia Grande (SP).Página 76 do relatório, capítulo Esquema do BNDES/Lojas Marisa: "Identificamos no curso das investigações e posteriormente confirmamos após deflagração da operação e realização dos mandados de busca e apreensão que a organização criminosa vinha atuando havia certo tempo. Na planilha abaixo destacam-se novamente os mesmos envolvidos no esquema da Praia Grande e a mesma sistemática de divisão (rateio), dois subgrupos, um destes composto por Progus, Paulinho, Tosto e Gaspar e outro por Manuel, Boris e João Pedro".Gaspar, para a PF, é "possivelmente" José Gaspar, vice-presidente estadual do PDT, que não responde às ligações do Estado. Ricardo Tosto é advogado de Paulinho. João Pedro de Moura, lobista, ex-conselheiro do BNDES, é aliado de Paulinho e apontado como mentor do golpe. A planilha a que se refere o relatório foi recolhida na Progus Consultoria, do empresário Marcos Mantovani, autor dos projetos que deram suporte aos empréstimos.Descreve os caminhos do primeiro crédito do BNDES às Lojas Marisa, montante de R$ 81,4 milhões. A organização, diz a PF, dividiu em parcelas um porcentual do dinheiro. "O nível de detalhamento e organização do grupo demonstra atuação sistêmica e que aparenta vir de longa data", destaca o relatório.São dois os trunfos da PF no libelo a Paulinho: grampos telefônicos e canhoto de cheque emitido por Mantovani. Uma escuta, de 23 de janeiro, pegou diálogo entre Boris Timoner, executivo, e Manuel Bastos Filho, o Maneco, dono da boate WE Original, que fatura R$ 10 milhões por ano. Eles falam na partilha e citam o nome Paulinho. No talão de cheques do diretor da Progus a PF resgatou o canhoto 4705 - lançamento de R$ 82.162,93, a 18 de março, que teria sido destinado a Paulinho.O deputado nega envolvimento. "As acusações são absurdas, loucuras", reage Antonio Rosella, advogado de Paulinho.O criminalista José Luís de Oliveira Lima, que representa Lojas Marisa, informou que os recursos do BNDES foram usados corretamente. O advogado Alberto Zacharias Toron, que defende Timoner, rechaçou: "Divisão de dinheiro coisa nenhuma. O Boris recebia honorários pela prestação de serviços reconhecidamente lícitos e tinha um crédito com um dos citados." Antonio Ruiz Filho e Carlos Kauffmann, defensores de Mantovani, asseveram que o empresário "preparou projetos idôneos". O advogado Guilherme Batochio, que defende Tosto, afirmou que a inocência de seu cliente "restará provada no curso da ação penal".

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