PF vê lavagem de dinheiro em fazendas de Dantas

Relatório da Polícia Federal (PF) aponta sete indícios de lavagem de dinheiro, que levaram o juiz da 6ª Vara Criminal Federal, Fausto Martin de Sanctis, a decretar o sequestro do complexo agropecuário do banqueiro Daniel Dantas - 27 fazendas e 453 mil cabeças de gado. Essas evidências, para o magistrado, dão suporte ao confisco.

AE, Agencia Estado

23 de julho de 2009 | 08h55

No relatório final da Operação Satiagraha, a PF sustenta ter identificado ?situações irregulares ou suspeitas? nas atividades de Dantas no setor rural - como ?o fato de um funcionário das fazendas enviar ao Opportunity faturas do governo do Pará relativas à compra de madeira e gado?. Outro indício é ?a indicação de que o pagamento das despesas das fazendas seria feito uma parte ''por dentro'', devidamente contabilizada, e outra sem a emissão de nota fiscal?.

A fazenda Santa Bárbara controla, por meio da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, todas as propriedades. O relatório informa que a Caravelas Participações, ?que tem capital social integralizado no valor de R$ 10 mil, repassou à Santa Bárbara, no período de 14 de agosto de 2001 a 29 de novembro de 2002, o montante de R$ 3.427.958,13?.

A PF cita como indícios de lavagem a ocorrência de registro dos funcionários, tanto pela Santa Bárbara quanto pela Alcobaça Consultoria e Participações - empresa de Dantas e de sua irmã, Verônica Dantas, que tem participação societária na Santa Bárbara Xinguara - , e a existência de ?diversas conversas? entre pessoas do Opportunity e funcionários das fazendas com objetivo de conciliar Adiantamentos para Futuros Aumentos de Capital (Afacs).

O relatório do delegado Ricardo Saadi, que conduziu a Satiagraha, destaca que documentos apreendidos identificaram diversos pagamentos, a maior parte em cheques, diretamente para pessoas físicas e jurídicas, efetuados pela Alcobaça no período de 7 de outubro de 2005 a 28 de setembro de 2007, a título de Afac à Agropecuária Santa Bárbara, totalizando R$ 128.316.840,86.

Suspensão do sequestro

A Santa Bárbara informou, em nota, que ?age e sempre agiu em conformidade absoluta com as disposições legais que regem a prática de suas atividades?. Segundo a empresa, ?todas as suas operações, aquisições de terra e compra e venda de gado estão rigorosamente documentadas, contabilizadas e declaradas aos órgãos públicos responsáveis?. A Santa Bárbara sustenta que a comercialização de seu rebanho é integralmente acompanhada da correspondente nota fiscal e Guia de Trânsito Animal (GTA).

A advogada Dora Cavalcanti disse que hoje ingressará com ?medidas judiciais cabíveis? para tentar suspender o sequestro. ?Daniel Dantas não faz parte da composição da agropecuária?, anotou ela. O secretário da Fazenda do Pará, José Raimundo Trindade, esclareceu que ?a gestão atual nunca comprou gado nem madeira de qualquer empresa, considerando que o Estado não compra esse tipo de mercadoria?. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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