PF vê irregularidade em notas

Perícia deve questionar evolução dos bens do senador

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 00h00

Relatório da Polícia Federal, em fase de conclusão, deverá apontar incompatibilidade do patrimônio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), estimado em mais de R$ 10 milhões, com suas rendas de parlamentar e agropecuarista, segundo informou uma autoridade com acesso à perícia técnica a cargo do Instituto Nacional de Criminalística (INC). Deve também revelar inconsistências - antecipadas em laudo parcial produzido em 19 de junho - nos documentos entregues para tentar comprovar que ele faturou R$ 1,9 milhão com a venda de bois desde 2003.Renan responde a acusações no Conselho de Ética do Senado no Supremo Tribunal Federal (STF). O senador nega as acusações e garante que, ao final, será absolvido tanto no Conselho de Ética como no STF.O laudo do INC, em fase de finalização, é decisivo para o futuro do senador, que pode perder o mandato e até ser condenado a prisão. A PF não comenta o conteúdo da perícia, mas informou, por meio da assessoria, que o INC deve pedir mais alguns dias de prazo para concluir o laudo nos documentos de defesa de Renan. Ao analisarem o material que provaria a venda de gado, os peritos se defrontaram com um dos maiores "laranjais" de empresas fictícias e correntistas de aluguel já vistos numa investigação criminal. O esquema seria comandado pela empresária Zoraide Beltrão, dona do frigorífico Mafrial, apontado por Renan como comprador dos seus bois.Entre 2004 e 2006, o esquema movimentou três grandes contas em nome de laranjas, pelas quais passavam entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão mensais. Uma das contas foi aberta no banco HSBC em nome do frigorífico de fachada GF Ltda, cujo titular era Genildo Ferreira da Silva Costa, um modesto ex-empregado de Zoraide. A conta registrou um movimento médio de R$ 500 mil mensais até ser extinta no final de 2006. Valores idênticos circularam nas contas da Carnal Carnes e Stop Carnes, abertas nos bancos Bradesco e Real. O objetivo das empresas de fachada, que eram fechadas a cada 3 anos, era sonegar impostos.

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