Marcos de Paula|Estadão
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PF vê indício de propina a Pezão de esquema ligado a Cabral

Documento da Polícia Federal afirma que 'é certo' que governador do Rio recebeu valor ilegal de organização investigada

Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2017 | 18h57

RIO - A Polícia Federal (PF) encontrou indícios de que o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), recebeu propina da organização criminosa que seria liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), preso na Operação Calicute.

A PF entregou nesta quinta-feira, 9, documento ao juiz federal Marcelo da Costa Bretas, responsável pelos desdobramentos da Lava Jato no Rio, em que sugere o encaminhamento do material ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), já que Pezão tem foro privilegiado.

O material foi localizado em busca na casa de Luiz Carlos Bezerra, apontado nas investigações como operador financeiro. Ele também foi preso na Calicute, desdobramento da Lava Jato. Segundo a PF, foram achadas anotações sobre a distribuição da propina recebida por Cabral com a identificação de Pezão. O documento traz referências a pagamentos de R$ 140 mil e R$ 50 mil.

“Apesar de ainda não terminada a análise do material (outras pessoas recebedoras de valores estão sendo identificadas), é certo que foi identificado como recebedor de valores o senhor Luiz Fernando Pezão”, diz no documento o delegado da PF Antonio Carlos Beaubrun Junior.

Pezão diz que está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. "Pezão ressalta que suas contas já foram analisadas em processos anteriores da Polícia Federal, e estes foram arquivados", diz em nota. Ao Broadcast Político, serviço de notícia em tempo real da Agência Estado, o peemedebista acrescentou que já teve a "vida revirada do avesso" pela PF e foi investigado duas vezes, mas "não acharam nada e pediram arquivamento". "A PF investigou tudo, quebrou o sigilo do meu telefone celular e das minhas contas bancárias. Estou à disposição da Justiça como sempre estive, não tenho problema quanto a isso", afirmou ele.

Pezão disse ainda não saber a origem dos documentos. "Não sei se é campanha, o que é. Não vou em cima de suposições ou documentos que nem sei de onde vem para comentar", completou.

 

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