PF vê em mensagens tentativa de ‘exercer influência política’

Peritos querem investigar citados por executivos da Odebrecht, como José Sergio Gabrielli e Aloizio Mercadante

Alexa Salomão e Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2015 | 04h00

Em relatório produzido a partir das discussões por e-mail entre os executivos da Odebrecht sobre os negócios com sondas, peritos da Polícia Federal apontaram que “foram identificadas, por parte do Grupo Odebrecht, especialmente do executivo Marcelo Odebrecht, ações com o objetivo de exercer influência política para obtenção de êxito na celebração de novos contratos com a Petrobrás”. 

Assim, os peritos também querem investigar melhor pessoas citadas nas conversas dos executivos da Odebrecht, como o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli e o ministro-chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante (PT-SP). Em relação a Gabrielli sugerem a necessidade de que faça a quebra do sigilo bancário e fiscal. Gabrielli presidiu a estatal entre 2005 e 2012, antes de Graça Foster. Os peritos também chamam a atenção para um integrante do alto escalão do governo, que ainda não identificaram, mas citado nos e-mails pelo apelido “italiano”. 

Procurado pela reportagem, Gabrielli declarou: “Não tenho qualquer temor com a quebra do meu sigilo fiscal ou bancário em relação a comportamentos ilícitos. Todas as minhas operações financeiras e tributarias se pautaram pela extrema transparência e legalidade”. 

Mercadante por sua vez diz que manteve “relação institucional” com Marcelo Odebrecht. “Ao longo dos anos da minha atividade pública, mantive relação institucional com o presidente da maior empresa de construção civil do País, a Odebrecht. No entanto, jamais tratei de qualquer assunto de interesse particular da empresa junto à Petrobrás.” 

Executivos. Os executivos que participaram da troca de e-mail tinham peso na empresa para fazer contatos com o alto escalação do setor empresarial e do governo. Marcio Faria comandava a área de engenharia industrial (construção de estruturas para setores como petróleo), presidia o conselho de administração do Estaleiro Enseada Paraguaçu, na Bahia, e ainda tinha cadeiras nos conselhos de administração das empresas de óleo e gás e de defesa do grupo.

Rogério Araújo atuava no desenvolvimento de negócios na área industrial e também no conselho da empresa de óleo e gás. Roberto Ramos presidia a empresa de óleo e gás e também estava no conselho do estaleiro. Fernando Barbosa era então diretor executivo do estaleiro.

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