PF vasculha apartamentos de Protógenes

Federais levaram o computador, o rádio e o celular do delegado que comandou a Operação Satiagraha

ANNE WARTH E FAUSTO MACEDO, Agencia Estado

05 de novembro de 2008 | 20h13

Mentor da Operação Satiagraha, missão federal que investiga o sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, num suposto esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes fiscais, o delegado Protógenes Queiroz tornou-se hoje alvo da Polícia Federal (PF), que integra há nove anos. Os policiais vasculharam um apartamento num hotel no centro da capital paulista, que o delegado ocupa quando se desloca para a cidade.   Veja Também: Especial explica a Operação Satiagraha  Multimídia: As prisões de Daniel Dantas  Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil Pouco depois das 6 horas, Protógenes foi despertado por uma equipe de agentes e delegados federais, munidos de mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Os federais levaram o computador pessoal do delegado, o rádio e o celular de Protógenes.Outras equipes da PF, simultaneamente, fizeram blitz em outros dois endereços de Protógenes, em Brasília e no Rio, onde mora o filho dele, de 21 anos. Também nesses locais foram recolhidos pertences e equipamentos do delegado, alvo de inquérito que investiga o vazamento de informações sigilosas da operação que ele próprio criou para esmiuçar a vida e as atividades empresariais de Dantas.O inquérito, presidido pelo delegado Amaro Lucena, corregedor da PF, apura ainda suspeita de grampos telefônicos ilegais. Além de Protógenes, são investigados agentes de sua equipe que também sofreram busca e apreensão por ordem judicial.A devassa nos endereços de Protógenes foi requisitada, formalmente, pela PF, mas o procurador da República Roberto Diana se manifestou contra a inspeção e a apreensão de bens do delegado. No fim da tarde de hoje, Protógenes dirigiu-se à sede da Procuradoria da República, disposto a obter mais informações sobre os motivos pelos quais é investigado. O cunhado dele, o advogado Fernando Alfonso Garcia, declarou que Protógenes se indignou muito com a busca realizada na casa onde mora o filho, no Rio.SatiagrahaNo inquérito da Satiagraha, Protógenes havia denunciado o "vazamento criminoso" da investigação - segundo ele, a divulgação de dados sobre o caso alertou Dantas e outros investigados, como o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta (1997-2000). Quando a operação foi deflagrada, em julho, Protógenes acusou superiores de boicotar a Satiagraha ao não liberar contingente suficiente de homens para realizar as operações.Com base na denúncia do delegado, o procurador Diana abriu procedimento para apurar a conduta da cúpula da PF. Protógenes foi afastado da condução do inquérito Satiagraha e ficou marginalizado na instituição.

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