Celso Júnior/AE
Celso Júnior/AE

PF vai pedir quebra de sigilo bancário de Arruda

O objetivo é investigar indícios de crimes, como lavagem de dinheiro

Vannildo Mendes,

11 de dezembro de 2009 | 05h08

A Polícia Federal vai pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal do governador José Roberto Arruda (DEM), de seis parlamentares, entre eles o presidente licenciado da Câmara Distrital, Leonardo Prudente (DEM), secretários de Estado e autoridades envolvidas no mensalão do DEM. O objetivo é investigar indícios de movimentação bancária superior à renda dos suspeitos, lavagem de dinheiro, aumento patrimonial e enriquecimento ilícito detectados na primeira fase da investigação.

 

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De um total de 36 pessoas investigadas na Operação Caixa de Pandora, pelo menos 18 tiveram envolvimento direto no esquema confirmado na análise dos documentos apreendidos durante a operação, em 27 de novembro passado.

 

Nas buscas de novembro, a PF apreendeu em dinheiro R$ 700 mil, além de 5 mil dólares e 30 mil euros, em escritórios e residências de alguns investigados. A perícia constatou que nessas apreensões não havia dinheiro procedente de um lote de R$ 500 mil, com marcas de identificação, que a PF entregou ao ex-secretário Durval Barbosa, colaborador da polícia e pivô do esquema.

 

A PF, porém, constatou que alguns maços de dinheiro apreendidos com diferentes suspeitos tinham a mesma sequência de série, sugerindo que as quantias provinham de uma mesma fonte de recurso, provavelmente um abastecedor do propinoduto.

 

A perícia concluída esta semana pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) reforçou o rol de provas contra os acusados. Constatou também que são autênticos os 50 vídeos entregues à polícia pelo ex-secretário, beneficiado pela delação premiada.

 

Os vídeos mostram os mensaleiros enfiando maços de dinheiro nos bolsos, pastas, bolsas, cestos e até em meias e cuecas. Um dos vídeos, gravado em 2006, exibe o próprio Arruda, então candidato ao governo, recebendo R$ 50 mil em dinheiro vivo das mãos de Durval. Convencida de que Arruda, depois de eleito, continuou participando do esquema, a polícia quer saber se parte dessas contribuições engordou o patrimônio do governador.

 

Levantamento publicado pelo Estado no último domingo revela que o patrimônio real do governador, incluindo bens registrados em nome de familiares e de sua ex-mulher, aumentou 1.060% em comparação ao valor declarado à Justiça Eleitoral nas eleições de 2002 e 2006. Nesse período, o valor dos bens saltou de R$ 600 mil para R$ 7 milhões. Arruda nega que a variação patrimonial seja incompatível com sua renda.

 

Caso a quebra de sigilos seja autorizada, a polícia investigará, segundo apurou o Estado, as suspeitas de que diversos outros bens teriam sido adquiridos por Arruda em nome de parentes e laranjas.

 

Os pedidos de quebra de sigilo deverão integrar o relatório parcial da operação, que a PF entregará na segunda-feira ao ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que preside o inquérito. Nesse dia começará a segunda etapa da operação. No relatório, serão requeridas novas buscas e apreensões em residências e escritórios dos alvos.

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