PF vai ouvir Dirceu sobre suposto elo com ex-prefeito em MG

Não há previsão de depoimento; ex-ministro foi citado em vídeo onde Bejani aparece negociando dinheiro

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2008 | 19h39

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, será ouvido pela Polícia Federal sobre a declaração do ex-prefeito de Juiz de Fora (MG), Carlos Alberto Bejani (PTB), que aparece em um vídeo apreendido afirmando que se encontraria com o deputado cassado para negociar a liberação de R$ 70 milhões - que garantiria uma "comissão" de R$ 7 milhões. Bejani, que renunciou nesta segunda-feira, 16, ao cargo, se refere na gravação apreendida pela PF a um financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF) aprovado pelo Ministério das Cidades para obras no rio Paraibuna, que corta Juiz de Fora, como parte do programa Saneamento Para Todos do governo federal.   Veja também:  Em vídeo, Bejani recolhe dinheiro e fala de Dirceu  Dirceu nega acusação de propina e diz que situação é 'kafkiana'  Ministro nega pressão de Dirceu por verba a Juiz de Fora  PF prende prefeito de Juiz de Fora   A PF estuda abrir inquérito para apurar o caso e o ex-ministro será ouvido por meio de carta precatória, possivelmente em São Paulo. "A partir da oitiva e da análise de documentos, se ficar provado que há uma relação criminosa, abre-se um novo inquérito", informou uma fonte federal. Não há data para o depoimento, mas a PF quer agilizar a análise preliminar e deverá encaminhar a carta precatória ainda nesta semana.   Dirceu já negou o encontro com Bejani, interferência na liberação do financiamento e classificou de "infame e vil" a suspeita envolvendo seu nome.   Num dos vídeos apreendidos, que teria sido gravado no dia 10 de maio de 2006, Bejani - enquanto contava dinheiro supostamente de propina paga pelo empresário do setor de transporte coletivo Francisco José Carapinha, o Bolão - afirma que horas depois se encontraria com Dirceu em Belo Horizonte para tratar da liberação.   Já deputado cassado, o ex-ministro visitou a capital mineira no mesmo dia, quando atendeu um convite do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) para ministrar palestra sobre a mídia e a crise política.   Suspensão   O foco da análise da PF será o contrato de financiamento. A CEF confirmou que, diante das suspeitas, suspendeu preventivamente o processo de "execução/liberação de recursos" previstos no contrato de financiamento. Segundo o banco, já foram liberados R$ 1,86 milhão de um total de R$ 63,2 milhões, referente a recursos da Caixa, excetuando a contrapartida de R$ 6,3 milhões da prefeitura.   A pedido da PF, o Tribunal Regional da 1ª Região, em Brasília, prorrogou ontem (16) por mais cinco dias as sete prisões temporárias da Operação de Volta para Pasárgada, deflagrada no último dia 12. Bolão e dois irmãos estão entre os presos temporários. Outras sete pessoas cumprem prisão preventiva, entre elas Bejani.

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