PF vai investigar organização que ameaçou petistas

A Polícia Federal vai investigar uma organização chamada Frente de Ação Revolucionária Brasileira (FARB), que enviou há cerca de 20 dias cartas com ameaças de morte aos 37 prefeitos do PT em São Paulo. O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), que entregou hoje um dossiê ao ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, pediu a entrada da PF nas investigações dos assassinatos do prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, do pré-candidato a deputado estadual pelo PT do Rio, Aldamir dos Santos, e do atentado contra o prefeito de Embu (SP), Geraldo Cruz. O ministro prometeu encaminhar o dossiê ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General Alberto Cardoso, e ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Agílio Monteiro Filho, para que possam ser investigadas a autenticidade das cartas e a existência da FARB. Aloysio afirmou, no entanto, que não poderá investigar os crimes contra os petistas porque esta é uma competência das polícias estaduais. Mas prometeu conversar com os governadores do Rio, Anthony Garotinho, e de São Paulo, Geraldo Alckmin, para que as investigações sejam agilizadas. O presidente do PT estava acompanhado do senador Eduardo Suplicy (SP), da viúva do prefeito de Campinas, Roseana Alves, e do prefeito de Embu, Geraldo Campos. Nos últimos quatro meses, dez integrantes do PT, além de vários sindicalistas ligados ao partido, foram assassinados por motivações políticas, de acordo com dados da liderança do PT na Câmara. "Eu queria que a Polícia Federal entrasse no caso, pois os crimes têm natureza claramente política", afirmou Dirceu. O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, que foi espancado em 1993 após um comício em Sergipe, afirmou que esta situação é preocupante. "A prática da eliminação física no cotidiano político é algo inaceitável". Dirceu considerou o assassinato do prefeito de Campinas um caso emblemático desse quadro de violência. Ele afirmou que os três suspeitos do crime foram libertados, alegando que foram torturados. Além disso, o Vectra utilizado para interceptar o carro de Toninho do PT foi devolvido pela polícia civil da Campinas à seguradora, sem qualquer explicação. As investigações sobre o assassinato do prefeito de Campinas serão feitas pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa do Estado de São Paulo, a pedido do governador Geraldo Alckmin. Quanto à morte do pré-candidato a deputado estadual pelo PT do Rio, Aldamir dos Santos, Dirceu deve conversar amanhã com o governador Anthony Garotinho. "O governador nos disse que em 48 horas teríamos informações. Dez dias depois, nada foi descoberto".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.