PF vai investigar filho, mas deixa Erenice de fora

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, determinou hoje que a Polícia Federal (PF) abra inquérito para investigar denúncias de que Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, teria feito lobby em troca de propina para beneficiar empresas privadas. A ministra, porém, não é alvo do inquérito. Por ter foro privilegiado, Erenice Guerra só pode ser investigada com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

CAROL PIRES, Agência Estado

14 de setembro de 2010 | 18h21

Segundo Barreto, a investigação será focada na atuação de Israel, de advogados e de empresas envolvidas no caso. O ministro fez o anúncio após Erenice Guerra divulgar nota informando ter pedido investigação do caso à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Ministério da Justiça.

No comunicado, ela afirma ser alvo de uma campanha difamatória "em favor de um candidato aético e já derrotado". "Chamo a atenção do Brasil para a impressionante e indisfarçável campanha de difamação que se inicia contra minha pessoa, minha vida e minha família, sem nada poupar, apenas em favor de um candidato aético e já derrotado, em tentativa desesperada da criação de um ''fato novo'' que anime aqueles a quem o povo brasileiro tem rejeitado", diz a ministra.

O comunicado à imprensa teve como objetivo informar que hoje ela encaminhou aos ministro Jorge Hage, da CGU, e ao ministro da Justiça pedido de investigação das denúncias. "Espero celeridade e creio na exação e competência das autoridades às quais solicitei tais apurações", afirma a ministra, que chama de "mentiras" as reportagens da revista Veja que mostram a movimentação de familiares de Erenice Guerra no governo.

De acordo com revelações feitas pela imprensa, Israel Guerra teria feito lobby em troca de propina para empresas aéreas interessadas em firmar contratos com os Correios. Além disso, uma irmã de Erenice teria autorizado a contratação de escritório de advocacia de um irmão delas, sem licitação.

"Lamento, sinceramente, que, por conta da exploração político-eleitoral, mais que distorcer ou inventar fatos, se invista contra a honra alheia sem o menor pudor, sem qualquer respeito humano ou, no mínimo, com a total ausência de qualquer critério profissional ou ética jornalística", completa a ministra, no texto.

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