PF vai investigar espionagem de dados no RS

A Polícia Federal do Rio Grande do Sul abriu inquérito policial nesta terça-feira para investigar indícios de investigação clandestina de autoridades federais. Segundo a PF, o sargento da Polícia Militar Cesar Rodrigues de Carvalho utilizava informações sigilosas do banco de dados do Consultas Integradas, da Secretaria Estadual de Segurança Pública, para acessar indevidamente os dados de pelo menos 30 pessoas.

JULIA BAPTISTA, Agência Estado

14 de setembro de 2010 | 12h15

O sargento estava lotado na Casa Militar da governadora Yeda Crusius (PSDB) e foi preso preventivamente no dia 3. A relação de quem teve os dados violados foi divulgada no dia 6, pelo promotor Amilcar Fagundes Freitas Macedo. Ele é o coordenador da Operação Agregação, que investigou supostas extorsões que o militar teria praticado contra donos de caça-níqueis em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.

A força-tarefa, integrada pelo Núcleo de Inteligência do Ministério Público e pelo Comando de Policiamento Metropolitana, afirma que o sargento usava sua senha restrita para acessar dados do Sistema com fins diferentes da função de proteger a segurança da governadora e de sua família. Entre os bisbilhotados estão o ex-ministro da Justiça e atual candidato ao governo do Estado, Tarso Genro, outros dois políticos do PT, o senador Sérgio Zambiasi e mais quatro filiados ao PTB. Ainda estão na relação quatro delegados de polícia e quatro oficiais da Polícia Militar, cinco advogados, quatro jornalistas, empresários e assessores do governo do Rio Grande do Sul.

Segundo o promotor, a Operação Agregação teve início há três meses, após o recebimento de informações de que um contraventor estaria sendo extorquido pelo policial há dois anos, em valores mensais que chegavam a R$ 6 mil. "Semanalmente o servidor da Polícia Militar passava na casa do denunciante para recolher o dinheiro. Para isso, utilizava carros da Casa Militar do Governo do Estado, local onde estava lotado".

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