PF vai investigar dossiê sobre contas no exterior

A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar a origem e a autenticidade do dossiê, publicado na revista Veja do último domingo, segundo o qual altas autoridades brasileiras, entre as quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teriam contas bancárias ilegais em paraísos fiscais. O primeiro a ser investigado será o próprio diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, um dos citados no dossiê. Para facilitar o trabalho da polícia, Lacerda abriu mão do seu sigilo bancário no Brasil e no exterior.A PF informou, em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, que vai pedir explicações a todos os envolvidos. Isso inclui o presidente Lula, que tem a prerrogativa de marcar local e hora para ser ouvido. Inclui também o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a quem a PF está subordinada. O inquérito, que será dirigido pelo delegado Disney Rosseti, da inteligência da PF, apurará também se houve dolo na elaboração da lista de autoridades e divulgação do dossiê, "de possível origem delituosa" conforme a nota. Lula, Bastos e Lacerda alegam que a lista é falsa e criminosa.Intitulada Guerra dos Porões, a reportagem baseia-se em entrevista ao dono do grupo Opportunity, Daniel Dantas, que alega ter sido chantageado pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, a doar entre 40 e 50 milhões de dólares ao partido, em troca de facilidades para se livrar de pendências nos seus negócios com o governo. Ele também revelou nomes de altos dirigentes do governo petista que teriam contas em paraísos fiscais.Para Lacerda, a notícia confirma informações levantadas há meses pala inteligência da PF, segundo as quais setores econômicos com interesses contrariados, Dantas à frente de um deles, aproveitando-se da crise que o governo atravessa, estariam forjando dossiês para denegrir a imagem de autoridades.Segundo Lacerda, a reportagem denota "má-fé" e irresponsabilidade da revista e do seu autor, o jornalista Márcio Aith, aos quais acusa de "conduta criminosa". A defende-se da acusação mas na própria reportagem admite não ter conseguido, apesar dos esforços jornalísticos, confirmar a existência das contas bancárias relatadas por Dantas em paraísos fiscais.A PF explicou, em nota divulgada no domingo, que desde novembro passado havia alertado aos setores da corporação, em correspondência interna, sobre uma "ação ardilosa para atribuir falsamente a integrantes do governo a titularidade de recursos ilegais fora do Brasil". Numa referência explícita a Dantas, a nota dia ainda que a divulgação da reportagem comprova a autoria da "trama criminosa, arquitetada e levada a efeito por um grupo de pessoas com histórico de envolvimento em delitos de violação de sigilo, divulgação de segredo, interceptação telefônica ilegal, corrupção e formação de quadrilha, apurados pela própria Polícia Federal".

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