PF vai interrogar lobista do caso BMG

Coelho é apontado como parceiro de Renan em esquema de propina

Vannildo Mendes e Sônia Filgueiras, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 00h00

A Polícia Federal decidiu interrogar o empresário Luiz Carlos Garcia Coelho, apontado por seu ex-genro, o advogado Bruno Brito Lins, como lobista e parceiro do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) em esquemas de desvio de recursos públicos. Se as denúncias forem confirmadas, a PF pedirá à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para ouvir o presidente do Senado.Em um depoimento de 18 páginas, dado em sigilo à PF na semana passada, Lins afirmou que, após a penúltima eleição para a presidência da Casa, em fevereiro de 2005, Renan teria comandado a articulação política que colocou o senador Romero Jucá (PMDB-RR) no Ministério da Previdência e tirou o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) da direção do INSS. "Quem começou a dar as cartas foi o senador Renan Calheiros, uma vez que o Ministério da Previdência era do bloco do PMDB", declarou. A mudança, segundo denunciou, seria parte de um esquema para favorecer o banco BMG na concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS.Além de Coelho, a PF também convocará Orlando Rodrigues da Cunha e o delegado da Polícia Civil João Kleiber Ésper, que tomou o primeiro depoimento de Lins, em setembro de 2006. Cunha, que já foi preso sob a acusação de estelionato, sabia das denúncias.A agenda dos depoimentos não foi definida, mas a PF já iniciou diligências para tentar confirmar as pistas fornecidas por Lins. Segundo informou o Estado, Coelho aparece associado a duas remessas de US$ 280 mil para os Estados Unidos. Outras três transações estão em nome de seu filho, Luiz Carlos Júnior. O dinheiro partiu de uma conta utilizada por doleiros.REAÇÃOA assessoria de Renan tem afirmado que todas as acusações de Lins são infundadas. O advogado de Coelho, Antônio Carlos de Almeida Castro, afirma que seu cliente quer depor e estará à disposição da PF a partir da próxima semana. Acrescenta que o empresário não tem contas no exterior e as remessas foram todas para o seu filho.O BMG e seus dirigentes alegam que as denúncias são inverídicas e negam qualquer irregularidade em operações ou pagamentos indevidos para obter favores. O deputado Carlos Bezerra rebate as acusações e pretende processar Lins.

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